O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou este domingo que falou com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, sobre a campanha dos Estados Unidos contra o Tribunal Penal Internacional (TPI), assegurando que Washington pretende agir "com firmeza" contra a instituição sediada em Haia.
"Ontem à noite [sábado à noite] falei com o secretário de Estado Marco Rubio, que reiterou a intenção dos Estados Unidos de agir com firmeza contra esta organização [o TPI]", afirmou Netanyahu no início da reunião do Governo israelita, segundo um comunicado divulgado pelo seu gabinete.
O chefe do Governo israelita acusou o TPI de "pôr em risco a justiça no mundo" e de sujeitar a segurança dos países às decisões de "funcionários corruptos em Haia". Netanyahu apelou ainda a que outros países acompanhem a iniciativa norte-americana contra o tribunal.
Netanyahu reúne-se com Trump em Washington
Benjamin Netanyahu viaja na segunda-feira para Washington, a convite do Presidente norte-americano, Donald Trump. O primeiro-ministro israelita participará no funeral do senador Lindsey Graham e deverá aproveitar a deslocação para se reunir com o chefe de Estado dos Estados Unidos.
Segundo Netanyahu, os dois líderes vão discutir "todos os temas da agenda", incluindo a situação no Irão.
O encontro será o primeiro presencial entre Netanyahu e Trump desde o início da guerra conjunta contra o Irão, no final de fevereiro, num momento marcado pelo agravamento das hostilidades entre Washington e Teerão e pelo estado de alerta em Israel.
Netanyahu acusa procurador do TPI de agir para desviar atenções
O primeiro-ministro israelita comentou também a destituição, na sexta-feira, do procurador do TPI, Karim Khan, por alegada conduta sexual imprópria.
Netanyahu sugeriu que Khan terá emitido mandados de captura contra si próprio e contra o antigo ministro da Defesa israelita, Yoav Gallant, por alegados crimes de guerra com o objetivo de desviar as atenções das acusações que enfrentava.
"Fê-lo para desviar as atenções, para reunir à sua volta todos os que odeiam Israel e, essencialmente, para criar uma couraça protetora", afirmou Netanyahu, acrescentando que essa "couraça foi quebrada".
O primeiro-ministro israelita acusou ainda o TPI de sofrer de "injustiça" e de "profunda corrupção", alargando as críticas à Procuradoria e à própria instituição.
Guerra em Gaza continua a provocar milhares de mortos
As declarações de Netanyahu surgem num contexto de forte pressão internacional sobre Israel devido à ofensiva militar na Faixa de Gaza, iniciada após os ataques do Hamas de 7 de outubro de 2023.
Segundo dados do Ministério da Saúde do enclave palestiniano, a ofensiva israelita provocou mais de 73.300 mortos e cerca de 7.500 desaparecidos. A operação militar deslocou praticamente toda a população de Gaza.
Uma comissão independente das Nações Unidas e várias organizações classificaram a ofensiva como genocídio, uma acusação rejeitada por Israel.