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O secretário-geral da NATO afirmou esta segunda-feira ter acordado com o Presidente dos EUA, Donald Trump, um reforço da presença da Aliança Atlântica no Ártico,. O objetivo é impedir que Rússia e China ganhem acesso militar e económico à região.
“O que saiu da reunião de quarta-feira [em Davos] são pelo menos duas questões que têm de ser tratadas: a Rússia e a China. Como impedir que esses dois países ganhem acesso ao Ártico, seja em termos militares, seja em termos económicos”, afirmou Mark Rutte numa audição no Parlamento Europeu.
Questionado por vários eurodeputados sobre a conversa mantida à margem do Fórum Económico Mundial, na Suíça, Rutte explicou que desse encontro resultaram dois eixos de trabalho relacionados com a Gronelândia, território autónomo dinamarquês cobiçado por Washington.
“O primeiro é que a NATO irá, coletivamente, assumir mais responsabilidades na defesa do Ártico”, afirmou, lembrando que sete dos oito países com presença na região pertencem à Aliança Atlântica: Estados Unidos, Canadá, Dinamarca, Noruega, Islândia, Finlândia e Suécia. O oitavo é a Rússia.
“Um dos pontos centrais é perceber como, coletivamente, podemos impedir que russos e chineses tenham mais acesso ao Ártico, incluindo acesso militar e económico”, sublinhou, acrescentando que, neste eixo, a NATO estará “claramente no comando” e que ele próprio estará “diretamente envolvido”.
O segundo eixo passa por garantir a continuidade do diálogo iniciado há duas semanas entre Dinamarca, Gronelândia e Estados Unidos, que incluiu um encontro entre os chefes da diplomacia na Casa Branca.
“Agora cabe aos dinamarqueses, gronelandeses e americanos conduzir esse processo. Eu não estarei envolvido nesse eixo”, esclareceu.
Confrontado pelo eurodeputado dinamarquês Villy Søvndal sobre se tinha mandato para negociar em nome da Dinamarca ou da Gronelândia, Rutte foi perentório: “Claro que não. Isso cabe exclusivamente à Dinamarca”.
Questionado pelo eurodeputado do PSD Sebastião Bugalho sobre se Trump alguma vez terá ameaçado retirar garantias de segurança à Ucrânia durante as conversações sobre a Gronelândia, o secretário-geral da NATO negou.
“Nunca ouvi esse rumor. São questões completamente separadas”, assegurou.
Na quarta-feira passada, Donald Trump recuou na ameaça de anexar a Gronelândia pela força e de impor tarifas adicionais a países europeus que se opunham à proposta norte-americana, justificando o interesse na ilha com razões de segurança nacional face às ameaças russa e chinesa, bem como devido às suas reservas estratégicas de hidrocarbonetos e minerais.