O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, associou esta segunda-feira o anúncio de retirada de tropas norte-americanas da Alemanha a uma crescente insatisfação de Estados Unidos com a resposta de alguns aliados europeus à crise no Médio Oriente.
À chegada à cimeira da Comunidade Política Europeia, em Erevan, Rutte admitiu que existe “alguma deceção” em Washington perante a forma como vários parceiros reagiram à campanha militar conduzida por Israel e pelos Estados Unidos contra o Irão.
No entanto, o líder da Aliança Atlântica fez questão de destacar o contributo de Portugal, colocando-o entre os países que, segundo disse, asseguraram apoio logístico essencial às operações norte-americanas. Entre os exemplos citados surgem também Roménia, Grécia, Itália e o Reino Unido.
A referência a Portugal surge numa altura em que a utilização de infraestruturas estratégicas, como a Base das Lajes, volta a ganhar peso no contexto da instabilidade internacional.
Nem todos os aliados, porém, seguiram o mesmo caminho. Espanha, por exemplo, recusou a utilização das suas bases militares no atual contexto de conflito.
Também presente em Erevan, a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, admitiu surpresa com o timing do anúncio norte-americano, mas considerou que a decisão reforça a necessidade de os países europeus aumentarem o seu peso dentro da NATO.
O episódio volta a colocar em evidência a pressão sobre os aliados europeus num momento de crescente tensão geopolítica e de redefinição do papel militar dos Estados Unidos no continente.