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O secretário-geral da NATO afirmou esta terça-feira que o ataque lançado pela Rússia contra o sistema energético da Ucrânia demonstra que Moscovo não está seriamente empenhada num processo de paz, apesar das negociações em curso.
“O Presidente [dos Estados Unidos, Donald] Trump e a sua equipa estão a tentar colocar fim a este derramamento de sangue. É evidente que a Ucrânia está pronta para apoiar esta iniciativa. Houve progressos, mas a Rússia continua a atacar. O ataque ocorrido durante a noite mostra que não estão a falar a sério sobre a paz”, declarou Mark Rutte, num discurso no Parlamento ucraniano, em Kyiv.
As declarações surgem após um bombardeamento massivo russo às infraestruturas energéticas ucranianas, depois de quatro dias sem ataques, e numa altura em que decorrem esforços diplomáticos liderados pelos EUA para pôr fim à guerra.
Ataques durante vaga de frio extremo
Segundo as autoridades ucranianas, as forças russas lançaram durante a madrugada mais de 70 mísseis e cerca de 450 drones, atingindo várias regiões do país, incluindo Kyiv, Dnipropetrovsk, Kharkiv, Sumi e Odessa.
O ministro do Desenvolvimento ucraniano, Oleksiy Kuleba, indicou que mais de 1.100 habitações ficaram sem aquecimento na capital, numa altura em que as temperaturas descem para valores próximos dos 20 graus negativos.
“Aproveitar os dias mais frios do inverno para aterrorizar a população é mais importante para a Rússia do que escolher a diplomacia”, escreveu o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, na rede social X.
A ministra da Cultura, Tetiana Berezhna, denunciou ainda danos no Museu Nacional da História da Ucrânia na II Guerra Mundial, junto ao monumento “Pátria”, um dos símbolos de Kyiv.
Pressão sobre Moscovo e sanções
No Parlamento ucraniano, Mark Rutte sublinhou que a economia russa está a sofrer os efeitos das sanções ocidentais, apesar do apoio da China, Coreia do Norte e Irão.
O secretário-geral da NATO destacou o impacto das medidas contra a chamada “frota fantasma” utilizada por Moscovo para contornar as sanções ao petróleo, garantindo que a Aliança continuará a pressionar o Kremlin e a apoiar a Ucrânia.
Durante a visita, que não foi previamente anunciada por razões de segurança, Rutte reuniu-se com Zelensky e participou numa homenagem aos defensores ucranianos mortos, junto ao memorial nacional na Praça da Independência de Kyiv.
Negociações em Abu Dhabi
As declarações ocorrem poucos dias antes da segunda ronda de negociações trilaterais entre Ucrânia, Rússia e EUA, marcada para quarta e quinta-feira, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.
O Kremlin tinha anunciado na sexta-feira que aceitara um pedido do Presidente norte-americano, Donald Trump, para suspender ataques contra Kyiv e a rede elétrica ucraniana até 1 de fevereiro. No entanto, os bombardeamentos foram retomados, incluindo um ataque no domingo que matou 12 pessoas num autocarro de mineiros em Dnipropetrovsk.
A última visita de Mark Rutte à Ucrânia tinha ocorrido em abril de 2025, quando visitou um hospital militar e a Catedral de Odessa, danificada por ataques russos.