sexta-feira, 13 mar. 2026

"Não se encoste..." Metro espanhol faz apelo inédito de segurança (em Portugal já foi feito)

Mensagens diretas partilhadas nas redes sociais querem reforçar civismo nos transportes públicos.
"Não se encoste..." Metro espanhol faz apelo inédito de segurança (em Portugal já foi feito)

“Por favor, não se apoiem nas barras verticais.” Foi desta forma que o Metro de Madrid recorreu à rede social X para apelar a uma maior responsabilidade cívica por parte dos passageiros.

Na publicação, a empresa explica que, se os passageiros se segurarem apenas com uma mão, “viajariam de forma mais segura e permitiriam que mais pessoas se pudessem também agarrar”. A mensagem, simples mas pouco habitual na comunicação institucional, tornou-se rapidamente mediática em Espanha.

A iniciativa surge na sequência de outras campanhas de sensibilização naquela cidade. Já no ano passado, a Comunidade de Madrid lançou uma ação com o objetivo de “reforçar o respeito e a boa convivência entre os seus utilizadores durante as suas deslocações”.

Desde então, têm sido divulgadas mensagens como “deixe sair antes de entrar” ou “música só com fones”, numa tentativa de ‘educar’ os utilizadores dos transportes públicos da capital espanhola.

'À vontade, não à vontadinha'

Apesar da recente mediatização em Espanha, Portugal já tinha avançado com uma campanha semelhante. No final do ano passado, o Metropolitano de Lisboa lançou a campanha “Boas Práticas, boas viagens”.

A empresa explicou que a iniciativa visa promover uma utilização do metro de forma mais “consciente e responsável do serviço, entendendo que a qualidade da experiência de viagem resulta não apenas da eficiência operacional, mas também dos comportamentos que moldam a convivência quotidiana do espaço público de mobilidade”.

Sob o lema “Ande de metro à vontade. Não à vontadinha”, a campanha portuguesa recorre ao humor e a uma “abordagem pedagógica” para apresentar “em contraste direto, comportamentos adequados e inadequados, na utilização do serviço”.

As mensagens espalhadas pelas estações são acompanhadas por ilustrações do autor Nuno Saraiva, cujo “traço singular confere vivacidade e clareza às situações retratadas, tornando a mensagem mais direta e facilmente apreensível”.

Entre os exemplos divulgados estão frases como “Entre no metro à vontade. Não à vontadinha. Facilite a entrada e saída dos comboios” e “Use as portas à vontade. Não à vontadinha. Evite forçar as portas”.

Moralismo ou bom senso

A reflexão impõe-se. Estas campanhas conseguem efetivamente mudar comportamentos ou arriscam ser vistas como excessivamente moralistas? Se por um lado promovem regras básicas de convivência e segurança, por outro podem gerar resistência se forem percecionadas como paternalistas.

O sucesso dependerá da forma como as mensagens são recebidas e interiorizadas pelos passageiros. Numa rede cada vez mais pressionada pelo aumento da procura, pequenas mudanças de comportamento podem ter grande impacto. A chamada pedagogia urbana pode, afinal, ser um dos instrumentos mais eficazes para melhorar a experiência diária de milhares de utilizadores.