A tensão política em Espanha voltou a subir depois de partidos de direita acusarem o primeiro-ministro Pedro Sánchez de ser um “pacifista de pacotilha”, numa crítica direta à sua posição sobre defesa e investimento militar.
A expressão foi utilizada pelo líder do Partido Popular, Alberto Núñez Feijóo, durante um debate sobre a posição de Espanha face ao conflito no Irão. O dirigente acusou Sánchez de contradição entre o discurso contra a guerra e o aumento do investimento em defesa.
Segundo o El País, Feijóo criticou o facto de o governo se apresentar como pacifista enquanto, simultaneamente, reforça despesas militares e mantém relações estratégicas com aliados internacionais.
"Resumo-lhe a nossa posição: não à guerra e não a si", afirma Feijóo. Também o líder do Vox, de extrema-direita, que tem o terceiro maior grupo parlamentar em Espanha, acusou Sánchez de se aproveitar "de qualquer desastre para tapar a corrupção".
"Quer a guerra porque o ruído oculta as suas corruptelas", disse Santiago Abascal, presidente do VOX, que tem manifestado apoio aos EUA e a Israel nos ataques ao Irão.
Sánchez respondeu com firmeza, acusando a direita de ter contribuído para o agravamento da situação internacional ao apoiar e não criticar determinadas intervenções militares.
O primeiro-ministro defendeu que Espanha deve manter uma linha clara de oposição à escalada de conflitos. Por outro lado, confirmou que o país tem aumentado os gastos com a Defesa, para cumprir compromissos assumidos no seio da NATO por governos anteriores, liderados pelo PP.
Pedro Sánchez repetiu o "não à guerra" que assumiu desde os primeiros ataques ao Irão, no final de fevereiro e voltou a condenar os Estados Unidos e Israel por terem iniciado o conflito.