Quando um casal se une e constitui família, raramente imagina que poderá enfrentar tempos tão difíceis. Ainda que o faça, confia na pessoa que ama para "segurar o barco".
Mas a história da família Salazar implica que ambos temam pelo que pode acontecer. Zak Salazar, de 41 anos, e Cori Salazar, de 42, vivem na Califórnia com as suas três filhas pequenas: Juniper, de 7 anos, Delaney, de 5, e Luna, de 4 anos. O casal está a lutar contra o cancro ao mesmo tempo.
Cori foi a primeira a ser diagnosticada, em abril de 2023. Foi a mãe que a alertou para um nódulo no pescoço, que se revelou ser uma massa na tiróide. Foi operada duas vezes para remover o tumor e impedir que o cancro se propagasse.
Ainda recuperava das cirurgias quando o marido, em junho de 2023, começou a queixar-se de dores de cabeça "excruciantes". Tinha começado por ir a uma consulta de optometria para atualizar a prescrição dos óculos, mas acabou internado para uma cirurgia cerebral de urgência. Foi diagnosticado com um tumor cerebral agressivo de grau 4.
O casal contou a história à ABC News. "Estava obviamente bastante nervoso e assustado, e a perguntar-me: ‘O que é que se está a passar?’ Foi como se a minha vida tivesse mudado por causa de um exame aos olhos”, explicou Zak.
E quando parecia que era a vez de Cori cuidar de Zak, a vida pregou-lhes mais uma partida.
Em 2025, descobriram outro tumor em Cori, desta vez um tumor neuroendócrino no pâncreas: um tipo raro de cancro que se origina em células neuroendócrinas, que partilham características de células nervosas e produtoras de hormonas. Existem várias formas de tratamento, desde cirurgia e quimioterapia até terapias direcionadas.
“O nosso lema, desde que tudo isto começou, é: ‘Nós conseguimos fazer coisas difíceis juntos’”, afirmou Cori, que considera que os desafios de saúde os tornaram mais fortes. “Perder o Zak parece algo muito difícil e assustador… mas sei que, se isso acontecer, vou conseguir ultrapassar", confessa.
No meio de tudo isto, as três filhas eram muito pequenas para compreender o que se passava com os pais, tendo estes decidido consultar uma psicóloga infantil. “Ela disse que era melhor dar um nome [ao cancro] do que deixar as crianças a imaginar, porque nós dizíamos apenas ‘estamos doentes’. Assim, elas poderiam associar qualquer doença a algo grave e assustador”, explicou Cori.
Neste momento, Cori Salazar toma medicação diária para a tiroide e faz exames regulares ao tumor pancreático que, atualmente, apresenta crescimento lento. Por sua vez, Zak toma um medicamento diário aprovado para astrocitomas e faz ressonâncias magnéticas frequentes para monitorizar a evolução do tumor cerebral.
“Por causa disso, conseguimos encontrar muita alegria todos os dias. Mesmo nos momentos difíceis, o Zak e eu somos bons a rir da nossa situação”, revela a mulher, afirmando que se quer sentir mais "presente no dia a dia".
Já Zak pretende usar a sua história para incentivar a pedir ajuda. “Não se consegue fazer tudo sozinho. É importante pedir ajuda. Isso não significa fraqueza”, diz.
De momento está a acontecer uma angariação de fundos online, criada por amigos do casal, para ajudar Cori e Zak nos tratamentos. A meta era 650 mil dólares (mais de 550 mil euros) e, até ao momento, já ultrapassou a meta em 59%.