Relacionados
O número de mortes e desaparecidos associados a catástrofes em Portugal aumentou a uma taxa média anual de 39,5% entre 2015 e 2024, enquanto o número de pessoas diretamente afetadas cresceu 43% por ano no mesmo período.
Um relatório do Instituto Nacional de Estatística (INE) sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) evidencia a crescente exposição do país aos impactos das alterações climáticas e reforça a necessidade de fortalecer as capacidades de prevenção, resposta e resiliência perante fenómenos extremos.
Apesar deste agravamento dos indicadores relacionados com catástrofes, o balanço global traçado pelo INE é, em vários domínios, positivo. De acordo com a agência Lusa, o relatório destaca uma redução consistente das emissões de gases com efeito de estufa e um reforço das estratégias de mitigação dos riscos ambientais.
"No domínio das emissões, observa-se uma evolução favorável entre 2015 e 2024, com reduções médias anuais próximas de 3%, refletindo uma trajetória consistente de descarbonização", refere o estudo.
Contudo, a análise revela que Portugal continua a enfrentar dificuldades significativas em várias áreas ambientais. No Objetivo de Desenvolvimento Sustentável relativo à proteção da vida marinha, o desempenho é classificado como "globalmente pouco favorável".
Embora tenham sido registados progressos na gestão sustentável dos recursos pesqueiros e tenha sido alcançada a meta relativa à proteção legal da pequena pesca em 2022 e 2024, a área de proteção marinha permanece estagnada nos 7% desde 2017, muito distante da meta de 30% fixada para 2030.
O relatório assinala igualmente uma diminuição do investimento em investigação e desenvolvimento na área das tecnologias marinhas, que passou de 2,1% em 2016 para 1,7% em 2022, contrariando os objetivos de reforço científico e tecnológico ligados à gestão sustentável dos oceanos.
Quanto à proteção da vida terrestre, o INE identifica uma evolução mista. Entre os aspetos positivos estão o reforço dos mecanismos legais para proteção da biodiversidade, o combate às espécies invasoras e o aumento da cooperação internacional nesta matéria.
O financiamento internacional para a biodiversidade também registou uma subida expressiva, com a ajuda pública ao desenvolvimento a passar de 400 mil euros em 2015 para 4,3 milhões de euros em 2025.
Ainda assim, persistem desafios relevantes na preservação dos ecossistemas, na gestão sustentável das florestas, no combate à degradação dos solos e ao tráfico ilegal de espécies.
Ao nível das cidades e comunidades sustentáveis, o relatório alerta para o aumento contínuo da produção de resíduos urbanos, que cresce a um ritmo médio anual de 1,3%. Em sentido contrário, a taxa de reciclagem registou uma diminuição média de 0,4% por ano, afastando Portugal da meta europeia de reciclar 60% dos resíduos urbanos até 2030.
A mobilidade urbana surge igualmente como um dos principais desafios identificados. Segundo o estudo, 67,8% da população declarou, em 2025, nunca ou quase nunca utilizar transportes públicos, um indicador que evidencia a forte dependência do transporte individual e as dificuldades na transição para modelos de mobilidade mais sustentáveis.
Os dados agora divulgados mostram que, apesar dos avanços registados na descarbonização da economia portuguesa, o cumprimento das metas ambientais e climáticas definidas para 2030 continua a exigir esforços significativos em áreas como a adaptação às alterações climáticas, a proteção da biodiversidade e a sustentabilidade urbana.