Morreu Susumu Tonegawa, Nobel da Medicina e membro da Fundação Champalimaud. Tinha 86 anos

A causa da morte não foi revelada.
Morreu Susumu Tonegawa, Nobel da Medicina e membro da Fundação Champalimaud. Tinha 86 anos

O cientista japonês Susumu Tonegawa, vencedor do Prémio Nobel da Medicina em 1987, morreu aos 86 anos, no passado sábado. A informação foi confirmada pelo Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT), esta quinta-feira, onde Tonegawa era professor emérito e onde desenvolveu grande parte da sua carreira científica.

A causa da morte não foi revelada.

A descoberta que transformou a imunologia

Em 1987, a Assembleia Nobel distinguiu Susumu Tonegawa pela descoberta do princípio genético que permite gerar milhões de anticorpos diferentes a partir de um número limitado de genes.

Até então, os cientistas não conseguiam explicar como o organismo humano era capaz de responder a uma variedade praticamente infinita de vírus, bactérias e outros agentes patogénicos.

A investigação de Tonegawa demonstrou que os genes responsáveis pelos anticorpos sofrem um processo de recombinação genética, permitindo criar uma diversidade praticamente ilimitada de respostas imunitárias. A descoberta abriu caminho a enormes avanços na imunologia, na investigação do cancro, no desenvolvimento de vacinas e no tratamento de doenças autoimunes.

Uma carreira construída entre o Japão, os Estados Unidos e a Europa

Reconhecido como um dos mais influentes investigadores da segunda metade do século XX, Susumu Tonegawa nasceu em 1939 em Nagoya, no Japão. Licenciou-se em Química na Universidade de Quioto em 1963.

Pouco depois mudou-se para os Estados Unidos, onde concluiu o doutoramento em Biologia Molecular na Universidade da Califórnia, em San Diego.

Após realizar, no Instituto de Imunologia de Basileia, na Suíça, a histórica investigação sobre a diversidade de anticorpos que lhe valeu o Prémio Nobel da Medicina, Tonegawa ingressou no MIT, instituição onde consolidou uma carreira de mais de quatro décadas.

O prestigiado biólogo molecular, que entre 2009 e 2017 acumulou estas funções com a direção do RIKEN Brain Science Institute no Japão, manteve também uma forte ligação a Portugal através da Fundação Champalimaud, onde atuou como membro ativo do Conselho Científico e do júri internacional do Prémio António Champalimaud de Visão.

Fundação Champalimaud já reagiu à morte do cientista

Em comunicado, a instituição "recebeu com profunda tristeza" a notícia da morte do cientista japonês.

"Para nós, Tonegawa não era apenas um gigante da ciência mundial. Era um amigo da casa.", pode ler-se na nota.