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Albrecht Weinberg sobreviveu a vários campos de concentração nazis e perdeu a maior parte da sua família naquela altura. Aos 80 anos voltou para a Alemanha, onde morreu esta terça-feira, aos 101 anos.
Weinberg nasceu em Rhauderfehn, perto de Leer, cidade onde morreu, no dia 7 de março de 1925. Sobreviveu à prisão nos campos de concentração em Auschwitz, Mittelbau-Dora e Bergen-Belsen, além de três marchas da morte na Segunda Guerra Mundial, marchas forçadas de prisioneiros, principalmente judeus, organizadas pela Alemanha nazi entre 1944 e 1945, de acordo com o referido pela CNN Internacional.
Depois disso, passou a ensinar estudantes sobre aquela altura da sua vida. "Desde que voltou de Nova Iorque para a sua casa há 14 anos, Albrecht relatou incansavelmente e com incrível energia as suas terríveis experiências durante a era nazista e alertou para o esquecimento", relembrou o presidente de Leer, Claus-Peter Horst.
No ano passado, ano em que foi lançado um filme sobre a sua vida, intitulado "Es ist immer in meinem Kopf" ("Está sempre na minha cabeça", em tradução livre), revelou que as memórias da altura da guerra ainda o visitavam. "Eu durmo com elas, acordo com elas, sonho, tenho pesadelos, esse é o meu presente", afirmou, acrescentando que "quando a minha geração já não estiver neste mundo, quando desaparecermos do mundo, então a próxima geração só poderá ler isso nos livros".
Weinberg recebeu a Ordem do Mérito da Alemanha em 2017, mas decidiu devolvê-la no ano passado como forma de protesto contra uma votação parlamentar acerca de uma moção apresentada por Friedrich Merz que pedia que mais migrantes fossem rejeitados nas fronteiras da Alemanha. Nada disso impediu que a moção fosse aprovada.
O embaixador de Israel na Alemanha, Ron Prosor, foi uma das figuras a homenagear Albrecht Weinberg, "um humano contra o esquecimento", descrevendo-o como a "ponte entre o passado e o presente, entre dor e esperança, entre os mortos que ele jamais poderia esquecer e os jovens que incentivou a procurar a verdade".
"Albrecht não falava para reclamar, mas para alertar. E para oferecer a esperança de que a humanidade pode ser mais forte que o ódio. Que obra de vida!", pode ainda ler-se na homenagem, que acaba com um agradecimento: "Obrigado, Albrecht. Pela sua vida, sua confiança, sua voz. Sentiremos sua falta".