segunda-feira, 14 set. 2026

Morre aos 41 anos antigo professor de Cambridge envolvido em polémica sobre alegado plágio

Jason Arday tinha-se demitido da Universidade de Cambridge a 5 de agosto, depois de uma investigação ser aberta na sequência de acusações sobre o seu trabalho académico. Polícia diz que a morte é inesperada, mas não suspeita.
Morre aos 41 anos antigo professor de Cambridge envolvido em polémica sobre alegado plágio

O sociólogo britânico Jason Arday, e antigo professor da Universidade de Cambridge, em Inglaterra, foi encontrado morto aos 41 anos, poucos dias depois de ter abandonado o cargo que ocupava na prestigiada universidade britânica.

De acordo com a Reuters, Arday foi encontrado inconsciente numa residência em Battersea, no sul de Londres, na tarde desta sexta-feira. Os serviços de emergência foram chamados ao local, mas o professor acabou por ser declarado morto.

A Polícia Metropolitana de Londres classificou a morte como inesperada, mas não suspeita, estando as circunstâncias a ser investigadas.

A morte aconteceu nove dias depois de Arday ter anunciado a sua saída de Cambridge, numa altura em que estava no centro de uma polémica académica relacionada com plágio, e que causou grande impacto no mundo académico.

Demitiu-se depois de investigação aberta por Cambridge

Arday deixou oficialmente a Universidade de Cambridge no início de agosto, dia 5. A sua saída aconteceu depois de a instituição anunciar uma investigação relacionada com alegações sobre o seu trabalho académico e sobre alguns elementos do seu percurso.

Entre as acusações estava a alegada existência de excertos semelhantes a trabalhos de outros investigadores na sua tese de doutoramento, apresentada em 2015.

As acusações foram negadas por Arday, que afirmou que não deveriam ser confundidas com uma admissão de fraude ou de plágio deliberado. A investigação universitária ainda não tinha produzido uma conclusão definitiva quando o académico morreu.

A polémica envolveu ainda outras alegações sobre informações apresentadas no seu percurso profissional e académico, relacionadas com proezas desportivas e de angariação de fundos, aumentando a pressão pública sobre o professor.

Foi o professor negro mais jovem de Cambridge

A trajetória de Arday tinha sido, até recentemente, apresentada como um exemplo de superação no mundo académico britânico.

Em 2023, tornou-se o professor negro mais jovem da história da Universidade de Cambridge, depois de assumir uma posição como professor de Sociologia da Educação.

A nomeação ganhou destaque precisamente pela história pessoal do académico e pelo percurso que fez até chegar a uma das universidades mais prestigiadas do mundo.

Arday tinha contado publicamente que enfrentou dificuldades significativas durante a infância e adolescência e tornou-se posteriormente investigador e professor na área das desigualdades sociais, educação e inclusão.

Pressão pública aumentou nas últimas semanas

As acusações relacionadas com o seu trabalho académico desencadearam uma intensa discussão pública.

A polémica não ficou limitada ao alegado plágio. Também foram levantadas questões sobre diferentes aspetos da biografia e do currículo apresentados por Arday ao longo dos anos.

O próprio académico reconheceu ter cometido erros no passado, mas rejeitou a ideia de que tivesse construído deliberadamente uma carreira baseada em falsificações.

Antes de abandonar Cambridge, afirmou que a exposição pública e as acusações tinham tido um impacto profundo sobre si e sobre a sua família.

Universidade de Cambridge lamenta morte

"Estamos profundamente tristes com esta notícia trágica. Os nossos mais sinceros sentimentos à família e aos amigos de Jason Arday neste momento incrivelmente difícil.", disse a vice-reitora de Cambridge, Deborah Prentice, em comunicado.

A instituição tinha iniciado uma investigação interna sobre as questões levantadas em torno da sua nomeação e do seu trabalho académico.

Essa investigação ficou sem uma conclusão pública antes da morte do professor.

Família fala em campanha de assédio

Após a notícia da morte, a família de Jason Arday afirmou estar em choque e criticou aquilo que descreveu como uma campanha prolongada de difamação, desinformação e assédio dirigida ao académico.

"A campanha de desinformação foi demais para Jason, que era um homem gentil e que sempre quis ver o melhor em todos", disse a família num comunicado fornecido pela editora de Arday, Simon & Schuster UK, citado pela Reuters.

A família considerou que a pressão pública dos últimos meses teve um impacto devastador sobre Arday, embora não exista, até ao momento, qualquer conclusão oficial que estabeleça uma relação entre essa pressão e a sua morte.

A família pediu também que terminassem os ataques dirigidos ao académico e aos seus familiares.