Relacionados
O primeiro-ministro Luís Montenegro e o chanceler alemão Friedrich Merz defenderam esta terça-feira, em Berlim, uma resposta europeia coordenada de pressão diplomática e contenção política face ao Irão, alertando para os riscos económicos e de segurança da instabilidade no Médio Oriente.
Numa conferência de imprensa conjunta na capital alemã, Montenegro sublinhou a importância da via diplomática, afirmando que “os conflitos resolvem-se quando há capacidade de diálogo”, mas considerou “inaceitável” a atuação iraniana, quer no plano do potencial nuclear militar, quer no impacto sobre o comércio internacional e a estabilidade regional.
O chefe do Governo português defendeu que a Europa deve reforçar a sua posição, apostando no diálogo, mas também na exigência de cumprimento de compromissos internacionais.
Estreito de Ormuz no centro das preocupações
Já o chanceler alemão alertou para os efeitos económicos da crise no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de transporte de petróleo e gás, sublinhando que eventuais bloqueios têm impacto direto nas economias europeias.
Merz defendeu o reforço da pressão sobre Teerão, admitindo o agravamento de sanções caso se mantenham perturbações no tráfego marítimo. “O Irão tem de sentar-se à mesa e negociar”, afirmou, acrescentando que Berlim está em coordenação com Washington sobre este dossiê.
Relações económicas em destaque
A visita de Montenegro à Alemanha incluiu encontros bilaterais e participação no “Wirtschaftstag”, uma das principais conferências económico-políticas do país.
A Alemanha é o terceiro maior cliente de Portugal e o segundo fornecedor, com as exportações portuguesas a crescerem, em média, 12,9% entre 2021 e 2025.
O evento reúne cerca de 3.000 empresários e líderes políticos europeus, incluindo representantes de grandes empresas como Siemens, Deutsche Bank e BASF, num fórum dedicado ao futuro da economia e do investimento na Europa.