segunda-feira, 09 fev. 2026

Ministro espanhol apresenta certificados para garantir inspeção da via onde descarrilou comboio em Córdoba

A controvérsia surge no mesmo dia em que foram retirados das vias os últimos destroços do comboio de alta velocidade Alvia, envolvido no acidente ocorrido há uma semana em Adamuz, que causou 45 mortos e cerca de 150 feridos
Ministro espanhol apresenta certificados para garantir inspeção da via onde descarrilou comboio em Córdoba

O ministro dos Transportes e Mobilidade Sustentável de Espanha apresentou este domingo certificados de inspeção para garantir que a via ferroviária da ArcelorMittal, onde ocorreu o descarrilamento do comboio de alta velocidade Iryo, em Adamuz (Córdoba), foi devidamente verificada.

Segundo a agência EFE, Óscar Puente publicou duas mensagens na rede social X. Na primeira, assegurou que o carril partido no local do acidente era novo. Cerca de uma hora depois, divulgou fotografias dos certificados de inspeção, afirmando que o material passou por todas as verificações obrigatórias.

“Informo-vos, antes que perguntem, que o carril em questão tem o seu certificado de inspeção, tendo passado em todas as verificações químicas, mecânicas, metalográficas, de equação preditiva, de dureza e de choque e impacto”, escreveu o ministro, classificando como “um boato descarado” a informação publicada pelo jornal El Mundo.

O diário espanhol noticiou que o troço da linha onde ocorreu o acidente era um ponto de junção entre material novo e vias não renovadas desde 1989, informação que levou o Partido Popular (PP) a exigir a demissão imediata do governante.

O secretário-geral do PP, Miguel Tellado, acusou Puente de ter mentido sobre o estado da linha, afirmando que o ministro “repetiu durante toda a semana que a via Madrid-Andaluzia tinha sido completamente renovada com um investimento de 700 milhões de euros”.

A controvérsia surge no mesmo dia em que foram retirados das vias os últimos destroços do comboio de alta velocidade Alvia, envolvido no acidente ocorrido há uma semana em Adamuz, que causou 45 mortos e cerca de 150 feridos.

Entretanto, a ArcelorMittal, empresa responsável pelos carris, apelou a uma investigação sem especulações. Num comunicado citado pela EFE, a multinacional sublinha que todo o aço fornecido para vias férreas é submetido a rigorosos testes de qualidade e defende que sejam analisadas “todas e cada uma das possíveis causas” do acidente.

A linha de atendimento da Refer já respondeu a 1.100 pedidos de informação e apoio às vítimas e familiares.

Segundo o relatório preliminar da comissão independente de investigação, o descarrilamento do comboio Iryo terá sido provocado por uma fratura do carril. Uma segunda composição, que circulava em sentido contrário cerca de 20 segundos depois, acabou por colidir com carruagens do primeiro comboio que ficaram atravessadas na linha.

Após a divulgação do relatório, Óscar Puente reiterou que todas as inspeções foram cumpridas e que fissuras nos carris são habitualmente detetadas, considerando que no caso de Adamuz houve “muito má sorte”.