Mike Tyson lança campanha contra comida ultraprocessada

Ex-campeão de boxe fala da morte da irmã por obesidade em anúncio no SuperBowl. Iniciativa da administração Trump divide especialistas
Mike Tyson lança campanha contra comida ultraprocessada

Mike Tyson trocou o ringue por uma nova luta: a guerra contra os alimentos ultraprocessados. O lendário pugilista protagonizou o principal anúncio da campanha "Coma Comida de Verdade", transmitido durante o Super Bowl, e marcou presença esta quinta-feira num evento da administração Trump dedicado ao tema.

"Esta é o combate mais importante da minha vida", declarou o ex-campeão mundial de 59 anos, numa aparição ao lado do secretário da Saúde Robert Kennedy Jr., conhecido crítico da indústria alimentar.

No vídeo a preto e branco exibido para milhões de espectadores durante a final da NFL, Tyson partilhou uma história pessoal devastadora. "A minha irmã chamava-se Denise. Morreu de obesidade aos 25 anos, teve um ataque cardíaco", revelou o pugilista, que falou também das suas próprias dificuldades com a alimentação.

"Venho de Brownsville, em Brooklyn. É o bairro mais violento e pobre de Nova Iorque, e os alimentos ultraprocessados eram a norma por lá", explicou Tyson durante o evento governamental.

O anúncio incentiva os norte-americanos a privilegiarem alimentos não processados — vegetais, carne e lacticínios — em detrimento de produtos industrializados como bolos, snacks e refrigerantes.

Os EUA estão entre os países que mais consomem calorias provenientes de alimentos ultraprocessados, segundo as autoridades de saúde norte-americanas. Estes produtos, ricos em açúcar, gordura, sal e aditivos, estão associados a risco acrescido de obesidade, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares.

Os dados são particularmente preocupantes: estudos recentes demonstram que o consumo excessivo de ultraprocessados pode aumentar em até 30% o risco de morte prematura.

Campanha divide especialistas

Embora a iniciativa tenha sido bem recebida por muitos profissionais de saúde, a ênfase dada às proteínas animais e aos lacticínios integrais levantou reservas entre nutricionistas.

Alguns especialistas temem que as recomendações possam estar mais alinhadas com os interesses dos lobbies agrícolas do que com evidências científicas sobre benefícios para a saúde, particularmente no que diz respeito ao consumo elevado de produtos de origem animal.

A controvérsia surge num contexto em que a administração Trump tem apostado em campanhas de saúde pública com forte componente mediática, recorrendo a figuras conhecidas para amplificar a mensagem.

Robert Kennedy Jr., que lidera a pasta da Saúde, é um crítico acérrimo da indústria alimentar norte-americana e tem defendido mudanças radicais na regulamentação dos alimentos processados.

O QUE SÃO ALIMENTOS ULTRAPROCESSADOS?

Produtos industriais com cinco ou mais ingredientes, geralmente ricos em:

· Açúcar refinado

· Gorduras saturadas e trans

· Sal em excesso

· Aditivos químicos (conservantes, corantes, aromatizantes)

Exemplos comuns:

· Refrigerantes e sumos industriais

· Snacks embalados (batatas fritas, bolachas)

· Refeições prontas congeladas

· Cereais de pequeno-almoço açucarados

· Produtos de charcutaria processada

· Fast food

Riscos para a saúde (estudos científicos):

· Obesidade (+50% risco)

· Diabetes tipo 2 (+40% risco)

· Doenças cardiovasculares (+30% risco)

· Alguns tipos de cancro

· Morte prematura (+30% risco)