Menino de dois anos em estado crítico após fazer transplante de órgão "com danos"

Seis profissionais, incluindo cirurgiões, médicos e paramédicos envolvidos na recolha e transplante, estão agora sob investigação.
Menino de dois anos em estado crítico após fazer transplante de órgão "com danos"

Um menino de dois anos e meio enfrenta complicações graves após receber um transplante cardíaco em Nápoles, Itália. O procedimento, realizado em dezembro, envolveu um órgão que apresentava danos, segundo relatos da imprensa italiana.

A criança está internada no Hospital Monaldi, em Nápoles onde o boletim clínico indica que a criança depende de dispositivos médicos para manter a respiração e a circulação sanguínea.

De acordo com o Corriere della Sera, o coração pode ter sido comprometido durante o transporte, tendo sido “queimado” por gelo seco. A Procuradoria de Nápoles abriu um inquérito para apurar as condições de transporte do órgão. Há ainda suspeitas de que o órgão tenha sido levado numa caixa considerada “ultrapassada”, apesar de existirem alternativas modernas com controlo de temperatura mais seguro.

Seis profissionais, incluindo cirurgiões, médicos e paramédicos envolvidos na recolha e transplante, estão agora sob investigação.

Diante de divergências entre especialistas sobre a possibilidade de um novo transplante, médicos de Roma, Pádua, Bérgamo e Turim reuniram-se nesta quarta-feira para avaliar o caso. No final da reunião, foi decidido que Tomasso não receberá outro coração. Segundo o comité, “à luz da avaliação feita ao paciente e com base nos últimos exames instrumentais, foi determinado que as condições da criança não são compatíveis com um novo transplante”, citou a agência italiana ANSA.

O coração originalmente destinado ao menino será direcionado a outro paciente, havendo três candidatos em espera no próprio Hospital Monaldi.

A família já reagiu à decisão. O advogado Franceco Petruzzi afirmou que “a mãe está resignada com a ideia de que o seu filho não vai sobreviver. Os especialistas disseram-lhe isso” e acrescentou que, apesar de não haver motivos para contradizer os especialistas, terá que investigar a documentação para "apurar responsabilidades". "Se o tempo de esperança já passou, chegou o da responsabilidade", disse.

O caso ganhou atenção nacional quando a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, contactou Patrizia Mercolino, a mãe da criança, transmitindo “solidariedade” à família, conforme noticiou a ANSA. “Disseram-me que será feita justiça”, revelou a mãe, e acrescentou: “No entanto, repeti-lhes também: agora, a minha prioridade é encontrar uma solução para o meu filho, conseguir um coração novo e vê-lo voltar para casa curado”.