Uma mulher e a filha de seis anos foram retiradas à força de um centro de saúde no leste da República Democrática do Congo por homens armados, num ataque que está a preocupar as autoridades devido ao risco de propagação do vírus Ébola, avançou a Reuters.
O caso aconteceu na noite de segunda-feira, perto de Butembo, na província do Kivu Norte, uma das zonas mais afetadas pelo surto.
Os atacantes, munidos com armas brancas, invadiram a unidade de saúde e levaram as duas pessoas. As autoridades não identificaram os responsáveis pelo ataque nem avançaram, para já, com uma possível motivação.
A criança, de seis anos, tinha testado positivo para Ébola.
Autoridades apelam ao regresso ao centro de tratamento
O desaparecimento da menina e da mãe está a dificultar os esforços das equipas de saúde para controlar a doença, numa região onde ataques contra profissionais e equipas de resposta têm afetado o rastreio de contactos e o isolamento de casos suspeitos.
“Até agora ainda não encontrámos as duas pessoas que estamos à procura”, afirmou à Reuters o médico Lubambo Maboko Gaston, responsável pela gestão da resposta ao Ébola na província do Kivu Norte.
O responsável deixou um apelo para que ambas regressem rapidamente a uma unidade especializada.
“Estamos a fazer um apelo solene para que regressem o mais rapidamente possível a um centro de tratamento do Ébola, porque o regresso delas à comunidade pode agravar o seu estado de saúde e, acima de tudo, infetar os seus familiares”, afirmou.
Lubambo Maboko Gaston confirmou ainda que nenhum profissional de saúde ficou ferido durante o ataque e explicou que o centro de saúde não tinha proteção militar ou policial.
Insegurança ameaça combate ao surto
O ataque acontece numa altura em que as autoridades enfrentam vários obstáculos no controlo do surto de Ébola no leste do Congo.
Além da violência contra equipas médicas, registaram-se recentemente ataques contra equipas responsáveis por enterros seguros e centros de tratamento na província vizinha de Ituri.
A desconfiança de algumas comunidades em relação aos profissionais de saúde tem sido apontada como uma das principais dificuldades na resposta ao vírus, dificultando a identificação de casos e a contenção da doença.
Kivu Norte já registou dezenas de mortes
Dados oficiais divulgados na terça-feira indicam que a província do Kivu Norte contabiliza 67 casos confirmados e 38 mortes, sendo a segunda região mais afetada do país, atrás de Ituri, que concentra mais de 90% dos casos.
A nível nacional, o surto já infetou 837 pessoas e provocou 196 mortes, segundo os dados das autoridades congolesas.