Doze trabalhadores permanecem retidos há cerca de seis meses a bordo de um navio de pesca em Cabo Verde, na sequência da retenção judicial da embarcação, num caso que continua sem resolução conhecida.
A notícia é avançada pela agência Lusa que afirma que o barco é de um armador português que pretende vender a embarcação, e por isso os trabalhadores continuam retidos e sem prazo de solução em vista.
"Eles ainda estão cá, no porto do Mindelo, na ilha de São Vicente. O armador vai vender o navio, já disse que tem um comprador e que até ao final da semana deverá chegar para resolver o problema", disse à Lusa o capitão dos Portos do Barlavento cabo-verdiano, Aguinaldo Lima.
Para além de estarem retidos, os documentos dos trabalhadores estão na posse do armador português.
Em declarações à Lusa, Agostinho Tavares, o embaixador de Angola em Cabo Verde, afirma que os próprios trabalhadores não querem regressar a Angola "sem receber os salários de um ano."
Apesar da situação prolongada e de difícil resolução, o diplomata garantiu que os trabalhadores têm recebido cuidados básicos. "Estão a viver dentro do barco, mas têm tido alimentação. Há alguém no terreno que leva mantimentos e combustível."
Em dezembro de 2025, o representante da Agência de Navegação de Cabo Verde (Limage), José Lima, disse à Lusa que a embarcação estava parada no porto do Mindelo há cerca de dois meses, com 12 trabalhadores sem receber salários.
Na mesma altura, a Federação Internacional dos Trabalhadores do Transporte (ITF) denunciou que os 12 homens a bordo do navio Novo Ruivo, de bandeira portuguesa, estavam há oito meses sem remuneração e abandonados pelo armador.
As autoridades cabo-verdianas e entidades judiciais continuam a acompanhar o processo, que envolve também a análise das condições legais da atividade da embarcação e das responsabilidades associadas.