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É uma cirurgia inédita e foi feita com sucesso por uma equipa de dois hospitais de Barcelona, em Espanha. Um feto de apenas 700 gramas foi operado ainda no útero da mãe, numa gravidez com apenas 28 semanas, para corrigir uma malformação congénita cujo impacto era ter os intestinos a desenvolverem-se para fora do corpo.
A cirurgia foi há seis semanas e o bebé já nasceu, por cesariana, saudável e sem complicações, de acordo com o jornal El País, que relata tudo sobre o processo.
O que é a gastroquise?
É esse o nome da malformação à qual Thiago foi operado. É uma má-formação congénita em que o bebé nasce com um defeito na parede abdominal, permitindo que os órgãos (geralmente os intestinos) fiquem expostos para fora do corpo, sem uma membrana de proteção.
Estando desprotegidos, os intestinos estão expostos ao líquido amniótico, ficando inflamados, o que pode trazer graves consequências para o bebé.
"A cirugia salvou-o de um prognóstico devastador", explica Eduard Gratacós, diretor do BCNatal, consórcio de medicina materno-fetal e neonatologia formado pelo hospital de Sant Joan de Déu e pelo Hospital Clínico que lideraram a cirurgia. "Se não tivéssemos feito nada, quando o bebé nascesse, o intestino já estaria muito danificado e o prognóstico teria sido um desafio para o bebé e para a sua família. O que queríamos era reparar a malformação na vida do feto. Trata-se de enganar a natureza para que o feto 'não descubra' que está a ser operado", acrescenta.
Os médicos descobriram a malformação aos cinco meses de gravidez. A mãe foi encaminhada para o consórcio, onde lhe propuseram realizar a cirurgia, já concretizada na Colômbia e Estados Unidos, mas inédita na Europa. "Eu estava muito nervosa, bastante preocupada e até pensei em recusar a operação, mas os meus médicos ajudaram-me a aceitar porque era o caminho mais viável para meu bebé", recorda a mãe de Thiago, Camila Molina.
"Normalmente, nesses casos, eles são operados após o nascimento. Mas este caso era tão grave que o bebé corria alto risco de perder grande parte do intestino se esperássemos pelo nascimento. Ele praticamente tinha o intestino inteiro fora do abdómen comprimido por um orifício de apenas um centímetro", revela Gratacós ao jornal espanhol.
Thiago está saudável, a alimentar-se bem e a crescer dentro dos parâmetros. "Agora ele tem uma vida normal e a sua evolução é muito boa", afirma a mãe. Segundo os médicos, o prognóstico do menino, agora já com quatro quilos, é "muito favorável".