terça-feira, 09 jun. 2026

Médicos britânicos alertam que redes sociais podem ser tão nocivas para jovens como o tabaco

Médicos do Reino Unido defendem que o impacto das redes sociais na saúde mental dos jovens pode ser comparável ao do tabagismo. Governo britânico estuda restrições para menores de 16 anos
Médicos britânicos alertam que redes sociais podem ser tão nocivas para jovens como o tabaco

A utilização das redes sociais representa uma ameaça para a saúde dos jovens comparável à do tabagismo, alertou a Academy of Medical Royal Colleges, numa posição divulgada esta terça-feira pela BBC.

A academia médica respondeu a um pedido do Governo britânico sobre o impacto das redes sociais em menores de 16 anos e defendeu que os profissionais de saúde devem passar a questionar sistematicamente os jovens sobre o tempo de exposição aos ecrãs e o uso das plataformas digitais.

Em declarações à BBC, a pedopsiquiatra Emily Sehmer afirmou que os riscos associados ao uso excessivo das redes sociais podem ser “piores” do que os do tabagismo.

“Não podemos saber a dimensão do problema se não perguntarmos”, sublinhou a especialista, defendendo que os médicos devem abordar o tema sem julgamentos.

A instituição considera essencial criar orientações específicas para ajudar os profissionais de saúde a identificar padrões de utilização prejudicial das redes sociais e de conteúdos ‘online’.

O Governo do Reino Unido mantém desde março uma consulta pública sobre possíveis restrições ao acesso de menores de 16 anos às redes sociais.

Segundo a ministra britânica da Ciência, Inovação e Tecnologia, Liz Kendall, novas medidas deverão ser implementadas antes do final do ano.

O debate sobre o impacto das redes sociais nos menores tem vindo a intensificar-se em vários países europeus e também na Austrália.

Em Portugal, o parlamento aprovou em fevereiro uma proposta do PSD para limitar o acesso livre às redes sociais a menores de 16 anos, permitindo a utilização por jovens a partir dos 13 anos apenas com consentimento parental. A proposta segue agora para discussão na especialidade.

Além disso, desde setembro de 2025, os alunos portugueses até ao 6.º ano deixaram de poder levar ‘smartphones’ para as escolas.

Também a França aprovou legislação para restringir o acesso de menores às redes sociais, exigindo autorização dos pais para utilizadores entre os 13 e os 16 anos.

Já a Austrália proibiu oficialmente, desde dezembro de 2025, o acesso às redes sociais a menores de 16 anos, numa das medidas mais restritivas atualmente em vigor a nível mundial.