Um médico de clínica geral foi expulso da Ordem dos Médicos do Reino Unido após cobrar até 15 mil libras (cerca de 17.300 euros) a doentes oncológicos, prometendo taxas de sucesso de 90% com tratamentos sem qualquer base científica.
O caso envolve Mohsen Ali, que operava uma clínica não registada onde administrava injeções com substâncias não identificadas, incluindo óleo de alho e vitamina C, alegando tratar o cancro de forma simples e eficaz.
Segundo o jornal The Independent, entre janeiro e setembro de 2018, o médico tratou pelo menos dois pacientes com doença oncológica avançada. Um deles, com cancro da próstata, foi informado de que a sua condição era “facilmente curável”, apesar de outros especialistas terem recomendado cirurgia.
O paciente, descrito pelo jornal como “desesperado” foi convencido a ignorar os tratamentos convencionais, com o médico a alegar que outros profissionais apenas pretendiam lucrar com quimioterapia e radioterapia. Mohsen Ali chegou mesmo a garantir que devolveria o dinheiro caso não conseguisse curar a doença.
Durante as sessões, os doentes eram injetados com fluidos cuja composição não era claramente explicada. Quando questionado, o médico foi “evasivo”, admitindo apenas o uso de substâncias como óleo de alho.
Outro caso envolveu uma mulher com cancro nos ovários, que morreu pouco tempo após iniciar os tratamentos. A paciente terá pago entre 10 mil e 12 mil libras (até quase 13.800 euros).
As condições da clínica foram também alvo de críticas. As sessões decorriam numa moradia partilhada, descrita por especialistas como “sórdida, pouco profissional, anti-higiénica e altamente inadequada”, onde os pacientes utilizavam espaços comuns com residentes.
O caso foi denunciado às autoridades em 2019, chegando à polícia de Leicestershire. O médico admitiu que a clínica não estava registada, justificando que realizava apenas “tratamentos naturais”, incluindo ventosaterapia e práticas de cura baseadas na fé.
O tribunal da Ordem dos Médicos britânica concluiu que Mohsen Ali representa “um risco elevado e contínuo para a segurança pública”, considerando que este induziu em erro doentes vulneráveis, cobrou quantias avultadas por tratamentos sem evidência científica e atrasou o acesso a cuidados médicos adequados.
Entre as infrações identificadas estão ainda a ausência de consentimento informado, falta de registos clínicos e utilização de instalações inseguras. O tribunal sublinhou também que o médico explorou a confiança associada à sua profissão para benefício próprio, recorrendo a publicidade enganosa e falsas promessas de cura.