sexta-feira, 15 mai. 2026

Médico cobrava até 17 mil euros para "curar" cancro com óleo de alho

Um médico foi expulso da Ordem no Reino Unido após prometer "curas" para o cancro com tratamentos sem base científica, cobrando milhares de euros a doentes vulneráveis
Médico cobrava até 17 mil euros para "curar" cancro com óleo de alho

Um médico de clínica geral foi expulso da Ordem dos Médicos do Reino Unido após cobrar até 15 mil libras (cerca de 17.300 euros) a doentes oncológicos, prometendo taxas de sucesso de 90% com tratamentos sem qualquer base científica.

O caso envolve Mohsen Ali, que operava uma clínica não registada onde administrava injeções com substâncias não identificadas, incluindo óleo de alho e vitamina C, alegando tratar o cancro de forma simples e eficaz.

Segundo o jornal The Independent, entre janeiro e setembro de 2018, o médico tratou pelo menos dois pacientes com doença oncológica avançada. Um deles, com cancro da próstata, foi informado de que a sua condição era “facilmente curável”, apesar de outros especialistas terem recomendado cirurgia.

O paciente, descrito pelo jornal como “desesperado” foi convencido a ignorar os tratamentos convencionais, com o médico a alegar que outros profissionais apenas pretendiam lucrar com quimioterapia e radioterapia. Mohsen Ali chegou mesmo a garantir que devolveria o dinheiro caso não conseguisse curar a doença.

Durante as sessões, os doentes eram injetados com fluidos cuja composição não era claramente explicada. Quando questionado, o médico foi “evasivo”, admitindo apenas o uso de substâncias como óleo de alho.

Outro caso envolveu uma mulher com cancro nos ovários, que morreu pouco tempo após iniciar os tratamentos. A paciente terá pago entre 10 mil e 12 mil libras (até quase 13.800 euros).

As condições da clínica foram também alvo de críticas. As sessões decorriam numa moradia partilhada, descrita por especialistas como “sórdida, pouco profissional, anti-higiénica e altamente inadequada”, onde os pacientes utilizavam espaços comuns com residentes.

O caso foi denunciado às autoridades em 2019, chegando à polícia de Leicestershire. O médico admitiu que a clínica não estava registada, justificando que realizava apenas “tratamentos naturais”, incluindo ventosaterapia e práticas de cura baseadas na fé.

O tribunal da Ordem dos Médicos britânica concluiu que Mohsen Ali representa “um risco elevado e contínuo para a segurança pública”, considerando que este induziu em erro doentes vulneráveis, cobrou quantias avultadas por tratamentos sem evidência científica e atrasou o acesso a cuidados médicos adequados.

Entre as infrações identificadas estão ainda a ausência de consentimento informado, falta de registos clínicos e utilização de instalações inseguras. O tribunal sublinhou também que o médico explorou a confiança associada à sua profissão para benefício próprio, recorrendo a publicidade enganosa e falsas promessas de cura.