domingo, 18 jan. 2026

Manifestantes saem à rua após morte de mulher durante operação do Serviço de Imigração dos EUA

Caracterizada por poetisa, escritora, mãe e boa vizinha, Renee Good deixa três filhos. Milhares de pessoas saíram à rua a exigir “justiça por Renee” atingida a tiro na cabeça a curta distância

Milhares de manifestantes reuniram-se para protestar contra o Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) durante o que as autoridades federais americanas chamaram de "a maior operação do Departamento de Segurança Interna (DHS) de todos os tempos.” Reuniram-se também para homenagear Renee Good numa vigília.

Renee Nicole Good, recém-chegada a Minneapolis, natural de Colorado Springs, tinha 37 anos e foi morta a tiro por um agente do ICE durante uma operação de grande escala de fiscalização da imigração na cidade. O incidente ocorreu durante a manhã de quarta-feira num bairro residencial do Sul de Minneapolis​, nas proximidades do local da morte de George Floyd em 2020. A vítima conduzia um veículo com que terá tentado bloquear parcialmente a via. O Departamento de Segurança Interna diz que a mulher tentou atropelar os agentes, uma versão questionada pelas autoridades locais.

Renee terá sido solicitada com insistência para que se retirasse do local. Vídeos divulgados nas redes sociais, mostram um agente a tentar abrir a porta do veículo, e de imediato, a condutora tenta recuar para abandonar o local. Momentos depois é baleada e o seu veículo, descontrolado, acaba por colidir com outros automóveis. De acordo com registos oficiais, não tinha antecedentes criminais nem qualquer histórico com a polícia.

O governador do Minnesota, Tim Walz, considerou o tiroteio “totalmente evitável” e contesta o relato das autoridades federais qualificando-o de “propaganda”. "A partir de agora, tenho uma mensagem muito simples: não precisamos de mais nenhuma ajuda do governo federal. Donald Trump e Kristi Noem (secretária de Segurança Interna) já fizeram o suficiente", afirmou. “Exigimos que o ICE deixe a cidade e o estado imediatamente. Estamos ao lado das comunidades de imigrantes e refugiados”, acrescentou.

O caso continua a provocar forte reação pública e voltou a colocar em destaque o debate sobre o uso da força em operações migratórias nos Estados Unidos.