sexta-feira, 07 ago. 2026

Manifestação contra o turismo em Maiorca termina com oito feridos após intervenção policial

A manifestação reuniu cerca de 25 mil pessoas para contestar a sobrelotação turística da ilha. Oito pessoas ficaram feridas e duas foram transportadas para o hospital.

Uma manifestação contra a sobrelotação turística em Palma de Maiorca, na ilha espanhola de Maiorca, no final da tarde deste domingo, terminou em confrontos com a polícia, provocando oito feridos, dois dos quais necessitaram de ser transportados para o hospital. O incidente ocorreu no final de um protesto que reuniu cerca de 25 mil pessoas e reacendeu o debate sobre o impacto do turismo de massas nas Ilhas Baleares.

Segundo a Polícia Nacional espanhola, a manifestação começou cerca das 19h00, e decorreu de forma maioritariamente pacífica, mas a tensão aumentou depois da leitura do manifesto final, quando um grupo de manifestantes tentou prolongar o percurso até ao Parc de la Mar, junto à zona histórica da cidade. Um forte dispositivo policial impediu o avanço da multidão, originando momentos de confronto.

Garrafas atiradas e resposta policial

De acordo com a Europa Press, um pequeno grupo de manifestantes lançou objetos, maioritariamente garrafas de plástico, contra os agentes. Em resposta, a polícia utilizou balas de borracha e efetuou cargas para dispersar os participantes, levando ao agravamento dos confrontos.

Os serviços de emergência mobilizaram três ambulâncias para o local, onde assistiram oito pessoas. Duas vítimas foram encaminhadas para unidades hospitalares com ferimentos considerados ligeiros a moderados, enquanto as restantes receberam tratamento no local e tiveram alta.

Críticas ao modelo turístico

No documento divulgado durante a manifestação, os promotores sustentam que mais de 105 mil habitações em Maiorca são atualmente utilizadas para fins turísticos, legais ou ilegais, contribuindo para a dificuldade de acesso à habitação por parte dos residentes.

Os manifestantes defendem ainda que o turismo "ocupou as costas, as vilas, as cidades e as casas" da ilha e apelam aos responsáveis políticos para que respondam às suas reivindicações antes do ciclo eleitoral previsto para 2027.

Entre as principais exigências está a redução da pressão turística sobre o território.

"Não há espaço para mais carros, mais hotéis, não há espaço para mais alugueres turísticos, não há espaço para mais 'franchisings' de café, 'fast food' ou lojas de 'cheesecake', e não há espaço para mais turistas", defenderam os organizadores, que consideram o decrescimento do turismo a única solução para garantir a sustentabilidade de Maiorca.

Deputado pede demissão do delegado do Governo

Os confrontos motivaram reações políticas imediatas. O deputado do Més per Mallorca no Congresso espanhol, Vicenç Vidal, que assistia à manifestação, publicou nas redes sociais imagens da atuação policial e exigiu a demissão do delegado do Governo nas Baleares, Alonso Rodríguez, responsabilizando-o pela resposta das autoridades.

A manifestação voltou a colocar no centro do debate o impacto do turismo de massas nas Ilhas Baleares, um dos principais destinos turísticos de Espanha, onde os protestos contra a pressão turística se têm multiplicado nos últimos meses.