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A fome no mundo voltou a recuar em 2025, mas continua a afetar cerca de 645 milhões de pessoas, quase metade das quais vive em África, segundo o mais recente relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO).
De acordo com o documento, 7,8% da população mundial enfrentava situações de fome no ano passado. Embora os indicadores tenham melhorado pelo terceiro ano consecutivo, a organização considera que o ritmo dos progressos está longe do necessário para cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável até 2030.
África continua a ser a região mais afetada
Dos cerca de 645 milhões de pessoas subalimentadas, 309 milhões vivem em África, onde uma em cada cinco pessoas sofre de subalimentação crónica. A Ásia concentra 292 milhões de casos e a América Latina e Caraíbas cerca de 32 milhões.
Segundo David Laborde, diretor da divisão de economia agroalimentar da FAO, "o centro de gravidade da fome deslocou-se da Ásia para África".
O responsável sublinhou ainda que "há 25 anos, a China ainda tinha um problema de fome, que conseguiu resolver", acrescentando que "a Índia também tem um problema, mas está a envidar grandes esforços para o resolver ativamente".
ONU diz que progressos ainda são insuficientes
Apesar da tendência de melhoria, a FAO alerta que o número de pessoas afetadas continua muito acima dos níveis registados antes da pandemia.
"As melhorias continuam a ser frágeis, distribuídas de forma desigual e insuficientes para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável até 2030. É preciso acelerar os avanços", afirmou o economista-chefe da FAO, Máximo Torero.
As projeções da ONU apontam para que, em 2030, entre 510 e 520 milhões de pessoas continuem a sofrer de fome, sendo que mais de metade viverá em África.