Mais de 50 anos depois, o mistério foi resolvido: filhos descobrem quem matou a mãe em 1974

Não havia técnicas avançadas de correspondência de ADN e o caso foi arquivado. 52 anos depois soube-se quem matou Barbara Waldman.
Mais de 50 anos depois, o mistério foi resolvido: filhos descobrem quem matou a mãe em 1974

Barbara Waldman morreu no dia 11 de janeiro de 1974 na sua casa, em Long Island, Nova Iorque, aos 31 anos. 50 anos depois, ninguém sabia quem a tinha assassinado: até esta semana.

A história foi avançada pela CNN Internacional, que falou com os 3 filhos de Barbara, Marla, Larry e Eric, com 7, 6 e 5 anos respetivamente na altura do crime.

O assassinato de Barbara

Foi Eric, o mais novo, que encontrou o corpo da mãe na sua casa depois de sair do autocarro do jardim de infância. "Tenho essa imagem na minha cabeça desde os cinco anos, quando a encontrei, e terei até morrer", afirma. Eric recorda que a última imagem que guarda de Barbara é do corpo deitado no chão, com um roupão coberto de rosas, as mãos amarradas e uma fronha na boca. Tinha sido alvejada na cabeça.

O testemunho dos vizinhos confirma que uma pessoa andou a vigiar a casa no dia do crime. A polícia rapidamente criou um retrado de um homem de acordo com os testemunhos: um pessoa com um casaco com capuz de pelo.

No entanto, não conseguiram identificar o suspeito através do retrato e o caso tornou-se num dos milhares de crimes não resolvidos nos Estados Unidos da América. A família não se conformou com o arquivamento do crime e persistiram na busca pela verdade.

A vida depois do crime e a dúvida sobre o pai

Seis meses depois do crime, o marido, o dentista Gerry Waldman casou-se novamente, o que levantou suspeitas do seu envolvimento no crime. "Não parecia bem", contou o filho mais novo, sobre o novo "rápido" casamento.

“Foi difícil crescer. Não falávamos sobre isso”, admitiu Eric. “As fotografias dela foram retiradas de casa — uma, duas, três — não havia nada dela". No entanto, os filhos confessaram não conseguir lidar com a dúvida se o pai estaria envolvido. “Penso que nos desassociámos e basicamente mantivemos o segredo e fingimos”, admitiu Marla. “Até engravidar, altura em que comecei realmente a questionar o meu pai: ‘Pai, isto não está certo, quero saber da minha mãe’”, recorda.

Em 2004, quando as técnicas de recolha de ADN se tornaram mais sofisticadas, o pai forneceu um cotonete com material genético, confirmando que não era ele o suspeito. Morreu alguns anos depois, sem saber o que tinha acontecido.

Já a filha mais velha admite que viveu "obcecada" com o caso: via documentários de crime e ligava todos os anos à polícia do Condado de Nassau para se informar sobre desenvolvimentos do caso que, aparentemente, continuaria arquivado por falta de provas que o reabrissem.

A reabertura do caso

Novos detalhes para a investigação surgiram quando, em dezembro de 2022, o assassino em série Richard Cottingham confessou ter matado cinco mulheres em Long Island entre os finais de 1960 e 1970. Foi o suficiente para reabrir o caso e extrair um perfil completo de ADN da cena do crime.

“Fiquei absolutamente, absolutamente feliz — não consigo explicar, foi como euforia”, recorda Marla. "Na minha cabeça, fosse Cottingham ou não, tínhamos o perfil completo de quem matou a minha mãe. Depois de ver todos aqueles programas, pensei: vou descobrir quem é, custe o que custar", afirmou.

No entanto, o ADN não correspondia àquele assassino em série.

O caso passou para o FBI a pedido de Marla, que usou genealogia genética investigativa para identificar o suspeito.

Um ano e meio após a reabertura do caso, Marla voltou a receber uma chamade de um detetive de Nova Iorque que confirmava: havia correspondência do ADN. O responsável é Thomas Generazio, que vivia na Califórnia na altura do crime, e tinha antecedentes por agressão. Morreu em 2004, vítima de cancro aos 57 anos.

Mais de 52 anos depois de perderem a mãe, o homicídio foi dado como resolvido e a polícia do Condado de Nassau anunciou Generazio como o autor.

“Poder dizer isto ao mundo foi muito gratificante. Nunca vou ter a minha mãe de volta, mas pelo menos agora sabemos quem a matou”, afirmou a irmã mais velha. Eric, o mais novo, acrescentou: “Não traz a minha mãe de volta, mas fico feliz por finalmente sabermos quem foi.”

“Há uma resposta para cada homicídio. Alguém sabe algo. Eu realmente acredito nisso”, garantiu Marla, que espera, juntamente com os irmãos, que a sua persistência seja um exemplo para outros familiares que vêm casos serem arquivados pelas autoridades sem respostas.