Mais de 40 países, incluindo Portugal, exigem reabertura do Estreito de Ormuz

Grupo admite novas sanções contra o Irão, perante o impacto global do bloqueio numa das principais rotas energéticas do mundo

Mais de quatro dezenas de países, incluindo Portugal, exigiram esta quinta-feira a reabertura “imediata e incondicional” do Estreito de Ormuz, numa posição conjunta que aumenta a pressão internacional sobre o Irão.

A declaração foi divulgada após uma reunião internacional convocada pelo Reino Unido, presidida pela ministra britânica dos Negócios Estrangeiros, Yvette Cooper.

No comunicado final, os países participantes alertam que poderão avançar com “medidas económicas e políticas coordenadas”, incluindo sanções, caso Teerão mantenha o bloqueio da via marítima.

“O Irão está a tentar fazer refém a economia mundial no Estreito de Ormuz. Não pode levar a melhor”, afirmou Yvette Cooper, sublinhando a necessidade de respeitar a liberdade de navegação e o direito internacional do mar.

Além das eventuais sanções, foi também acordado reforçar a pressão diplomática sobre o regime iraniano.

Portugal esteve representado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel.

Impacto global e subida dos preços

O bloqueio do estreito — por onde passa cerca de um quinto da produção mundial de petróleo — está a provocar fortes perturbações na economia global, com reflexos imediatos nos preços da energia.

A quase paralisação do tráfego afeta não só o petróleo, mas também o transporte de gás natural liquefeito e fertilizantes, produtos críticos para os mercados internacionais.

Dados da empresa de análise marítima Kpler indicam que, desde o início de março, apenas 225 navios atravessaram o estreito — uma quebra de 93% face aos níveis habituais.

O Irão, que controla a costa norte do estreito, avançou para o bloqueio em resposta à ofensiva militar lançada por Israel e pelos Estados Unidos a 28 de fevereiro.

Perante o agravamento da crise, Londres anunciou já uma nova reunião, a realizar na próxima semana, que juntará responsáveis militares para avaliar opções que garantam a segurança e reabertura da rota marítima.

Apesar das restrições, alguns navios — sobretudo de países como Emirados Árabes Unidos, Índia, China e Arábia Saudita — continuam a atravessar o estreito, ainda que em número muito reduzido.

A comunidade internacional teme agora uma escalada do conflito e o prolongamento de uma crise que ameaça diretamente a estabilidade energética e económica mundial.