A cidade autónoma de Ceuta, território espanhol localizado na costa norte de África, enfrenta uma nova crise migratória depois de mais de 1.500 migrantes terem entrado na cidade, nos últimos dez dias, muitos deles atravessando a fronteira a nado a partir de Marrocos.
A situação levou o autarca de Ceuta, Juan Jesús Vivas, a pedir ao Governo espanhol que declare uma "emergência nacional", defendendo que a cidade já não dispõe de capacidade para responder ao elevado número de chegadas.
"Estamos numa situação de absoluta emergência humanitária e social que exige uma atuação consequente através de um comando único que garanta uma resposta enérgica, decidida e imediata", disse o autarca em declarações a vários meios de comunicação social espanhóis.
Chegadas aumentaram de forma significativa
Segundo as autoridades locais, chegam cerca de 200 por dia ao território espanhol, alcançando a costa de Ceuta a nado ou contornando os pontos de vigilância da fronteira.
Embora o verão costume trazer um aumento das travessias marítimas, os responsáveis consideram que a dimensão da atual vaga migratória é excecional e ultrapassa a capacidade de resposta dos serviços locais.
Centros de acolhimento estão sobrelotados
A pressão migratória fez disparar a ocupação dos centros de acolhimento, obrigando muitas pessoas a permanecerem temporariamente em espaços improvisados ou ao ar livre.
Segundo os números das autoridades locais, há neste, perto de 700 pessoas em centros que têm pouco mais de 500 lugares. Na rua estão outras 400, a aguardar uma solução.
Juan Jesús Vivas alertou que a situação representa uma emergência humanitária e social, defendendo uma intervenção coordenada do Governo central para reforçar meios de segurança, assistência humanitária e redistribuição de migrantes para outras regiões de Espanha.
Menores representam uma das maiores preocupações
A pressão migratória tem sido particularmente sentida no sistema de proteção de menores. Segundo o Governo de Ceuta, o número de crianças e adolescentes estrangeiros não acompanhados acolhidos aumentou significativamente nas últimas semanas. A cidade espanhola acolhe neste momento 570 menores, quando há apenas dez dias eram 180.
Marrocos reforça vigilância na fronteira
Entretanto, as autoridades marroquinas reforçaram a vigilância ao longo da costa e dos principais pontos de passagem para tentar travar novas travessias.
Segundo fontes do Governo espanhol, Rabat tem colaborado na contenção dos fluxos migratórios, embora centenas de pessoas continuem diariamente a tentar alcançar território espanhol, muitas delas recorrendo à travessia a nado junto ao espigão do Tarajal.
A crise faz recordar o episódio registado em maio de 2021, quando cerca de 10 mil migrantes entraram em Ceuta em apenas dois dias, num dos maiores movimentos migratórios alguma vez registados na fronteira sul da União Europeia. As autoridades receiam agora que, caso o ritmo atual se mantenha, a situação possa voltar a atingir proporções semelhantes.