quarta-feira, 15 abr. 2026

Maioria dos russos continua a lamentar fim da URSS

Estudo revela que mais de metade dos russos mantém nostalgia pela dissolução da URSS, especialmente entre as gerações mais velhas, refletindo o impacto duradouro do legado soviético na sociedade russa.
Maioria dos russos continua a lamentar fim da URSS

A maioria dos cidadãos russos (57%) continua a lamentar a dissolução da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), um valor que se mantém estável há vários anos, segundo um inquérito divulgado esta quarta-feira pelo Centro de Pesquisa de Opinião Pública de Moscovo.

Os dados revelam que a nostalgia pelo antigo regime é mais expressiva entre as gerações mais velhas, em particular entre os nascidos entre a década de 1940 e o início dos anos 1960. Neste grupo, cerca de 80% afirma lamentar o fim da URSS.

Em contraste, entre os cidadãos nascidos após a queda da União Soviética, apenas 14% diz sentir nostalgia por esse período histórico.

A dissolução da URSS ocorreu a 26 de dezembro de 1991, após a demissão do seu último líder, Mikhail Gorbachev, marcando o fim de uma potência global fundada em 1922.

O atual presidente russo, Vladimir Putin, tem classificado repetidamente esse momento como “a maior tragédia geopolítica do século XX”.

O estudo mostra também que 57% dos inquiridos acredita que o colapso da URSS poderia ter sido evitado, enquanto cerca de um terço considera que era inevitável.

Além disso, 61% dos russos afirma que votaria a favor da manutenção da União Soviética caso fosse realizado hoje um referendo sobre o tema.

Reabilitação de Estaline divide opiniões

Entre os mais velhos, a sondagem aponta ainda para uma elevada aceitação da reabilitação da imagem de Joseph Stalin, líder soviético entre 1924 e 1953, com cerca de 80% a manifestar concordância com essa tendência.

Apesar da estabilidade recente dos números, a perceção negativa sobre o fim da URSS já foi mais elevada: em 2005, 75% dos russos considerava a dissolução do Estado soviético como um acontecimento negativo.

Os resultados refletem o peso duradouro da herança soviética na sociedade russa e evidenciam uma clara divisão geracional na forma como o passado é interpretado.

A memória da URSS continua, assim, a influenciar o debate político e social na Rússia, mais de três décadas após o fim do regime.