O nome de José Luis Rodríguez Zapatero voltou ao centro da política e da justiça espanhola. O antigo primeiro-ministro está a ser investigado pela Audiência Nacional no âmbito do caso Plus Ultra, que envolve suspeitas de tráfico de influências, organização criminosa e falsificação documental.
De acordo com o El País, o processo centra-se no resgate público de 53 milhões de euros concedido pelo Governo espanhol à companhia aérea Plus Ultra em 2021, no contexto da pandemia de covid-19. A investigação procura determinar se parte dos fundos públicos terá sido utilizada para esquemas de branqueamento de capitais e pagamento de alegadas comissões ilícitas.
O jornal espanhol avança que a Unidade de Delinquência Económica e Fiscal (UDEF) da Polícia Nacional está a levar a cabo uma operação de buscas no escritório de Zapatero em Madrid, bem como em sociedades ligadas ao seu círculo familiar e empresarial, incluindo a empresa das suas filhas.
Zapatero deverá ser ouvido pelas autoridades judiciais no próximo dia 2 de junho, no âmbito da investigação em curso.
A investigação não é recente e terá sido iniciada em 2024 e, desde então, o processo tem vindo a evoluir com a recolha de provas documentais e análise de fluxos financeiros associados à operação, permanecendo sob a alçada da Audiência Nacional espanhola. Em dezembro de 2025, o presidente da companhia aérea, Julio Martínez, e o diretor executivo, Roberto Roselli foram detidos devido a buscas realizadas na sede da Plus Ultra.
No centro do esquema está uma empresa de consultoria chamada Análisis Relevante S.L, que pertence a Julio Martínez, que terá recebido pagamentos da Plus Ultra e, por sua vez, passou os pagamentos a Zapatero.
O antigo líder socialista, que governou Espanha entre 2004 e 2011, rejeita qualquer irregularidade e tem defendido publicamente a legalidade das suas atividades profissionais após a saída da chefia do Governo.