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A justiça espanhola ordenou esta quinta-feira o bloqueio de contas bancárias do ex-primeiro-ministro espanhol José Luis Rodríguez Zapatero, que está a ser investigado por alegado tráfico de influências relacionado com o resgate da companhia aérea Plus Ultra.
Segundo fontes judiciais citadas por vários meios de comunicação social espanhóis, o bloqueio visa um montante de cerca de 490.780 euros associado a transferências provenientes de uma empresa sob investigação neste processo.
A Audiência Nacional de Espanha revelou na terça-feira que Zapatero será ouvido por um juiz no próximo dia 2 de junho, no âmbito de um processo que investiga o resgate financeiro concedido à Plus Ultra em 2021.
De acordo com o sumário judicial, o antigo líder do Partido Socialista Operário Espanhol é suspeito de liderar “uma estrutura estável e hierarquizada de tráfico de influências” destinada a obter “benefícios económicos” através de alegadas influências exercidas junto de entidades públicas em favor da companhia aérea.
A investigação suspeita ainda da utilização de empresas e documentação alegadamente simulada para ocultar a origem e o destino de verbas, incluindo uma empresa administrada pelas filhas de Zapatero.
Segundo a justiça espanhola, o ex-primeiro-ministro e as duas filhas terão recebido alegadamente 1,95 milhões de euros em comissões irregulares relacionadas com este caso.
José Luis Rodríguez Zapatero, de 65 anos, reagiu na terça-feira através de um vídeo enviado aos meios de comunicação social, garantindo inocência total e prometendo colaborar com a justiça.
“Quero reafirmar que toda a minha atividade pública e privada sempre se desenvolveu com absoluto respeito pela legalidade”, afirmou o antigo chefe do Governo espanhol.
Zapatero negou ainda ter realizado qualquer diligência junto de governos ou entidades públicas relativamente ao resgate da Plus Ultra.
A companhia aérea recebeu em 2021 um apoio financeiro de 53 milhões de euros através de um fundo criado pelo Governo espanhol para apoiar empresas estratégicas afetadas pela pandemia de covid-19.
O executivo liderado por Pedro Sánchez reagiu ao caso manifestando “respeito pela justiça” e sublinhando o princípio da presunção de inocência.
A ministra porta-voz do Governo espanhol, Elma Saiz, afirmou que os apoios concedidos às companhias aéreas durante a pandemia foram autorizados pela Comissão Europeia e validados por tribunais espanhóis e europeus.
Já o líder do Partido Popular, Alberto Núñez Feijóo, considerou o caso “extremamente grave” e acusou o Governo de Pedro Sánchez de ter responsabilidade política no resgate aprovado em Conselho de Ministros.
A investigação a Zapatero soma-se a outros processos judiciais envolvendo pessoas próximas do atual primeiro-ministro espanhol, incluindo antigos dirigentes socialistas, um ex-ministro e familiares de Pedro Sánchez, investigados ou acusados em casos relacionados com corrupção e tráfico de influências.