sexta-feira, 17 abr. 2026

Jornalista americana raptada no Iraque. FBI já a tinha alertado que grupo militante planeava "sequestrá-la ou matá-la"

O Kataib Hezbollah é um dos grupos militantes mais poderosos do Iraque. Um dos suspeitos já detido pertence ao grupo.
Jornalista americana raptada no Iraque. FBI já a tinha alertado que grupo militante planeava "sequestrá-la ou matá-la"

Uma jornalista norte-americana terá sido sequestrada na noite desta terça-feira por "indivíduos desconhecidos" no Iraque. Vídeo mostra o momento do rapto, numa rua movimentada em Bagdá, capital do Iraque.

A notícia foi avançada pelo The New York Times, que refere que o Ministério do Interior do Iraque já garantiu que o governo está a mobilizar esforços para encontrar a jornalista freelancer e responsabilizar os raptores. As forças de segurança terão perseguido os sequestradores no momento do ataque e detido um suspeito, além do veículo usado. O suspeito é Kataib Hezbollah, aliado do Irão, segundo os responsáveis de segurança iranianos.

O vídeo que retrata o momento já circula nas redes sociais. É possível ver um carro que para perto de Shelly Kittleson numa rua em Bagdá, capital do Iraque, e um grupo de homens armados que se aproximam da jornalista e a forçam a entrar no veículo. Partem a seguir em alta velocidade, com outro carro cúmplice.

Durante a perseguição das forças de segurança iraquianas, o carro onde ia Kittleson terá capotado, mas os sequestradores retiraram-na do carro e seguiram no outro que os acompanhava.

Shelly Kittleson é uma jornalista freelancer que trabalha com várias organizações de notícias, incluindo o Al-Monitor, que pediu a libertação imediata da mulher. O FBI já a tinha alertado de que o seu nome aparecia em planos do grupo do suspeito, Kataib Hezbollah, para "sequestrá-la ou matá-la", de acordo com o mesmo jornal que cita Alex Plitsas, investigador sénior do Atalntic Council e amigo de Kittleson. A jornalista tem feito a cobertura do Médio Oriente há muitos anos, e o Al-Monitor reconhece as suas reportagens como "corajosas em zonas de guerra no Afeganistão, Iraque e Síria".

Apesar do alerta, a jornalista de 49 anos insistiu em continuar em Bagdá, tendo apenas direcionado o contacto de Plitsas às autoridades dos EUA em caso de emergência.

A mãe, Barbara Kittleson, informou que teve notícias da filha pela última vez na semana passada.

O Kataib Hezbollah é um dos grupos militantes mais poderosos do Iraque. É responsável por outros raptos, como o da estudante israelense-russa, Elizabeth Tsurkov, que foi refém durante dois anos, nos quais foi torturada. As autoridades colocam a hipótese de o mesmo grupo ser responsável pelo rapto de Shelly.

O grupo iraquiano está envolvido na guerra entre os EUA e Israel e o Irão, tendo visto um complexo seu em Bagdá ser atingido por drones dos "inimigos". Duas semanas depois, o grupo reivindicou um ataque à embaixada norte-americana no Iraque.

Dylan Johnson, alto funcionário do Departamento de Estados dos EUA, revelou que o governo já tinha conhecimento do rapto "de uma jornalista americana em Bagdá", não referindo o nome de Shelly Kittleson (que foi identificada por responsáveis iraquianos) e afirma estar a reunir esforços com o FBI para a sua libertação.