sexta-feira, 07 ago. 2026

Itália culpa Madrid pela crise migratória em Ceuta e quer suspender Espanha do Espaço Schengen

Giorgia Meloni admite recorrer a medidas excecionais contra Espanha devido à vaga de entradas ilegais em Ceuta. Madrid acusa Roma de "demagogia" e convoca o embaixador italiano.

A crise migratória em Ceuta está a agravar as relações entre Itália e Espanha. O Governo de Giorgia Meloni defende a suspensão de Espanha do Espaço Schengen, alegando que a política migratória de Madrid está a incentivar o tráfico de seres humanos.

O vice-primeiro-ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros italiano, Antonio Tajani, afirmou estar "a favor do encerramento do espaço Schengen com a Espanha".

Segundo o governante, "as imagens que chegam de Ceuta mostram como a decisão do governo de Madrid de conceder a cidadania espanhola, e portanto europeia, a mais de 500 mil imigrantes irregulares (...) encoraja o tráfico de seres humanos".

Meloni reforça posição

Pouco depois, Giorgia Meloni confirmou que o Governo italiano está a estudar medidas excecionais.

"Estamos a reunir as instâncias competentes e, no fim destas reuniões, estamos prontos para agir, incluindo através de medidas excecionais (...), como a suspensão do acordo de Schengen com Espanha", escreveu a primeira-ministra, acrescentando que "a Itália não vai ficar de braços cruzados".

Madrid reage

A resposta espanhola foi imediata. O ministro dos Negócios Estrangeiros, José Luis Albares, classificou as declarações de Tajani como "inapropriadas" e acusou Itália de recorrer à "demagogia partidária", anunciando a convocação do embaixador italiano em Madrid.

Oposição critica Governo italiano

Também o Partido Democrático, principal força da oposição em Itália, condenou a atuação do executivo.

O dirigente Peppe Provenzano acusou Meloni de recorrer a "propaganda mesquinha" e afirmou que o país é governado por "um governo de irresponsáveis e manipuladores", considerando que Roma abriu uma crise diplomática com Espanha por razões de política interna.