quinta-feira, 14 mai. 2026

Istambul proíbe manifestações do 1.º de Maio e encerra Praça Taksim

As autoridades da maior cidade da Turquia proibiram protestos do Dia do Trabalhador em vários distritos
Istambul proíbe manifestações do 1.º de Maio e encerra Praça Taksim

As autoridades municipais de Istambul proibiram a realização de manifestações do Dia do Trabalhador, assinalado a 1 de maio, em quatro distritos da cidade e decidiram manter encerrada a Praça Taksim, um dos principais símbolos dos movimentos de esquerda na Turquia.

Segundo o governo local, responsável pelas forças de segurança, estão proibidos protestos, marchas e eventos públicos ao longo de todo o dia em vários bairros, incluindo Beyoğlu, onde se situa a praça.

A Praça Taksim tem um forte valor simbólico no contexto das comemorações do 1.º de Maio no país, sobretudo desde os acontecimentos de 1977, conhecidos como o “Primeiro de Maio Sangrento”, quando 34 pessoas morreram durante uma manifestação.

Nesse episódio, tiros disparados de um edifício com vista para a praça geraram pânico entre a multidão, provocando várias mortes por esmagamento e asfixia, além de dezenas de feridos.

Após o golpe militar de 1980, as autoridades proibiram as concentrações na praça, uma restrição que se manteve durante décadas e que alimentou contestação por parte de movimentos sindicais e da esquerda turca.

Apesar de períodos em que a praça voltou a receber grandes celebrações entre 2010 e 2012, a proibição foi retomada em 2013, levando a confrontos frequentes entre manifestantes e polícia e a várias detenções ao longo dos anos.

Este ano, as autoridades autorizaram eventos noutras duas praças da cidade, mas alertaram que aglomerações fora dos espaços designados não serão permitidas.

Ainda esta semana, a polícia deteve dezenas de pessoas em ações relacionadas com tentativas de assinalar a data na Praça Taksim, onde um pequeno grupo colocou flores em homenagem às vítimas de 1977, apesar do reforço policial no local.