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O ministro dos Negócios Estrangeiros de Israel, Gideon Saar, anunciou esta quinta-feira que o Governo israelita vai cortar "todo o contacto" com a Alta Representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, Kaja Kallas, na sequência de alegadas declarações da responsável europeia sobre a situação dos palestinianos.
Através das redes sociais, Gideon Saar acusou Kaja Kallas de ter comparado o tratamento dado por Israel aos palestinianos na Faixa de Gaza e na Cisjordânia ao antigo regime do apartheid na África do Sul, exigindo um pedido público de desculpas.
"Esperamos que Kaja Kallas retire as suas declarações e peça desculpa por aquilo que constitui uma calúnia de sangue dirigida ao único Estado judaico do mundo", escreveu o chefe da diplomacia israelita.
A decisão de suspender os contactos diplomáticos surge depois de o portal Euractiv ter noticiado que Kaja Kallas fez essa comparação durante várias reuniões realizadas à porta fechada, no âmbito de uma visita oficial ao México. Segundo o órgão de comunicação, que cita funcionários presentes nesses encontros, a diplomata europeia estabeleceu um paralelo entre a situação dos palestinianos e o sistema de segregação racial que vigorou na África do Sul até ao início da década de 1990.
Até ao momento, Kaja Kallas não comentou publicamente as alegações.
A responsável pela política externa da União Europeia visitou Israel e a Cisjordânia em março de 2025, ocasião em que assumiu uma posição crítica relativamente à ofensiva militar israelita na Faixa de Gaza, embora tenha reiterado o reconhecimento do direito de Israel à autodefesa.
Comparação por diversas organizações internacionais
A comparação entre a política israelita nos territórios palestinianos e o apartheid sul-africano tem sido feita por diversas organizações internacionais. As Nações Unidas e organizações não-governamentais, como a Amnistia Internacional, sustentam que existem práticas que configuram um sistema de discriminação e segregação da população palestiniana.
Num relatório divulgado em janeiro, a ONU apontou que, na Cisjordânia, coexistem dois sistemas jurídicos distintos: um aplicado aos colonos israelitas e outro aos palestinianos, situação que, segundo o organismo, resulta num tratamento desigual. O documento refere ainda as restrições à circulação e a separação física entre territórios como fatores que sustentam essas críticas.
Israel rejeita categoricamente estas acusações, defendendo que as medidas de segurança adotadas nos territórios palestinianos respondem exclusivamente à necessidade de proteger a população israelita de ataques terroristas.