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Se o assunto do momento é agora o conflito entre os Estados Unidos e Israel e o Irão, recorde-se que antes pairava no ar uma outra polémica: o caso Epstein.
Os três milhões de documentos divulgados no final de janeiro pelo Departamento de Justiça dos EUA estavam a ter repercussões por todo o mundo e a atingir altas figuras políticas, da realeza e do mundo do empreendedorismo. Recorde-se que, no pico da polémica estava Andrew Mountbatten-Windsor, ex-princípe de Inglaterra, Bill Gates, co-fundador da Microsoft, e Peter Mandelson, ex-embaixador do Reino Unido nos EUA.
Donald Trump continuava também no centro da polémica, negando veemente quaisquer envolvimentos com o criminoso sexual condenado, além de figuras israelitas, como o antigo primeiro-ministro Ehud Barak.
24 horas antes do ataque, Bill Clinton tinha prestado depoimento depois da sua mulher, Hillary Clinton, onde garantiam nunca ter visto nada "preocupante". A ex-candidata presidencial insistia ainda na ideia de que os depoimentos do casal serviam apenas para "desviar atenções" do envolvimento do presidente norte-americano.
Tudo isso parece ter perdido força assim que começaram a cair bombas no Irão.
A alegação parte do congressista republicano norte-americano Thomas Massie, um dos grandes impulsionadores da lei Epstein Files Transparency Act, que implica a divulgação dos ficheiros Epstein. "Bombardear um país do outro lado do globo não vai fazer os documentos de Epstein desaparecerem", afirmou, no dia 28 de fevereiro, primeiro dia do conflito.
É possível que Trump tenha adotado esta estratégia?
Shaiel Ben-Ephraim, analista da Atlas Global Strategies e antigo diplomata israelita, explica à Al Jazeera os motivos que pensa terem sustentado o ataque ao Irão. "Há muito pouca racionalidade estratégica por trás disso [do conflito]", começa por dizer.
“Os níveis atuais de aprovação de Trump são os piores de sempre, alguns dos piores que me lembro tão cedo num mandato. E há sinais de que a economia vai piorar, por isso ele precisa realmente de uma distração sob a forma de uma guerra”, explicou Ben-Ephraim e acrescentou: "se olharmos para as pesquisas no Google sobre os documentos de Epstein, elas desceram drasticamente desde que isto começou. Portanto, pelo menos temporariamente, está a funcionar. Está a ocupar o tempo do Congresso e dos meios de comunicação social”.
Já para o lado do primeiro-ministro israelita, Benjamin Neatnyahu, o analista explica que poderá estar à procura de popularidade antes das eleições, previstas para junho. "A guerra em Gaza, de genocídio, não teve muito sucesso em termos de aprovação pública para Netanyahu, porque o inimigo lá, o Hamas, é relativamente fraco, e Israel não se saiu particularmente bem”, disse Ben-Ephraim, descrevendo o Irão como “um inimigo mais impressionante”.