domingo, 18 jan. 2026

Irão ameaça manifestantes com pena de morte e intensifica repressão

Com as comunicações interrompidas, tornou-se difícil acompanhar os acontecimentos a partir do estrangeiro
Irão ameaça manifestantes com pena de morte e intensifica repressão

O procurador-geral do Irão avisou este domingo que qualquer pessoa que participe nos protestos contra o regime será considerada “inimiga de Deus”, uma acusação punível com pena de morte no país.

A declaração de Mohammad Movahedi Azad foi transmitida pela televisão estatal iraniana e concretiza a ameaça feita na sexta-feira pelo líder supremo, o ayatollah Ali Khamenei, que anunciou o início de uma repressão contra as manifestações.

Os protestos, que se espalharam por quase todo o território iraniano, começaram a 28 de dezembro, inicialmente motivados pelo aumento do custo de vida e pela inflação elevada, num contexto de fortes sanções económicas impostas pelos Estados Unidos e pelas Nações Unidas. Nos últimos dias, evoluíram para uma contestação política direta ao regime.

Na quinta-feira, as autoridades iranianas cortaram o acesso à Internet e aos serviços de telemóvel em todo o país, após uma grande manifestação em Teerão e a divulgação, nas redes sociais, de vídeos que mostravam milhares de pessoas nas ruas.

Com as comunicações interrompidas, tornou-se difícil acompanhar os acontecimentos a partir do estrangeiro. Ainda assim, segundo a organização não-governamental Agência de Notícias dos Ativistas pelos Direitos Humanos, o número de mortos subiu para pelo menos 65, havendo também cerca de 2.300 detidos.

Alguns meios de comunicação social estatais e semioficiais continuam a publicar conteúdos ‘online’. A cadeia Al-Jazeera, do Qatar, tem conseguido transmitir em direto a partir do Irão, sendo aparentemente o único grande órgão de comunicação social estrangeiro a operar no terreno.

No sábado, a televisão estatal iraniana afirmou que não se registaram protestos significativos durante a noite, garantindo que “a paz prevaleceu na maioria das cidades”, apesar de alegados ataques de “terroristas armados” a espaços públicos e propriedades privadas.

No entanto, um vídeo verificado pela agência Associated Press contradiz essa versão oficial, mostrando manifestações na zona de Saadat Abad, no norte de Teerão, com milhares de pessoas nas ruas a entoar slogans como “Morte a Khamenei”.

Numa declaração inesperada feita na sexta-feira, o líder supremo acusou os manifestantes de estarem a destruir o país “em nome de um Presidente estrangeiro”, numa referência aos Estados Unidos, depois de o Presidente norte-americano Donald Trump ter ameaçado “bater muito forte” no Irão caso as autoridades “comecem a matar os manifestantes”.

Entretanto, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, voltou a manifestar apoio aos protestos, escrevendo nas redes sociais que “os Estados Unidos apoiam o bravo povo do Irão”. Noutra mensagem, o Departamento de Estado sublinhou que as declarações de Trump devem ser levadas a sério.

“Não brinquem com o Presidente Trump. Quando ele diz que vai fazer alguma coisa, cumpre”, refere a nota oficial.