Enquanto não se consegue desembaraçar do problema iraniano, no qual as negociações e consequentes propostas de acordo não chegam a materializar-se, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está de olhos postos noutro dos seus objetivos de política externa. E este não fica a mais de 11 mil quilómetros da fronteira norte-americana. Pelo contrário, a distância é de menos de 150 quilómetros e é uma ilha que diz mais aos americanos do que propriamente o Irão.
A ilha é, claro, Cuba, um reduto do comunismo onde, em 1959, Fidel Castro e os seus homens tomaram o poder através de um golpe de Estado que derrubou a ditadura de Fulgencio Batista. A ilha localizada no Mar das Caraíbas e a uma curta distância da Flórida foi um dos palcos principais durante a Guerra Fria. Várias foram as tentativas americanas de eliminar o regime castrista, com destaque para a Invasão da Baía dos Porcos, em 1961, mas sempre sem sucesso, e a instalação de mísseis soviéticos apontados para território norte-americano desencadeou um dos momentos de maior tensão no conflito que marcou a segunda metade do século XX - a famosa Crise dos Mísseis de Cuba. Foi naqueles dias, em outubro de 1962, que o mundo parou perante o braço de ferro entre as duas superpotências na esperança de que não atingisse o patamar nuclear.
Entretanto, com a queda da União Soviética no início da década de 1990, a degradação agravou-se e os cubanos têm sido condenados não só à falta de liberdade, mas também à escassez material profunda. E, quando assumiu pela segunda vez o comando da Casa Branca, Trump, que nomeou um filho de cubanos (Marco Rubio) para o Departamento de Estado, definiu a queda do regime agora liderado por Miguel Díaz-Canel um dos seus objetivos de política externa. Depois da intervenção relâmpago na Venezuela que acabou com a captura de Nicolás Maduro, a intervenção em Cuba deixou de ser uma questão de ‘se’ e transformou-se numa questão de ‘quando?’. Julgando pelos últimos acontecimentos e notícias, a pergunta anterior pode ser respondida com recurso a três palavras apenas: muito em breve.
De acordo com a notícia avançada pelo Politico, «o Pentágono prepara o terreno para a invasão de Cuba»; a Axios explica que existe uma «pressão crescente de Trump sobre Cuba»; e a BBC escreve que a relação entre Washington e Havana, frágil há várias décadas, «tem-se deteriorado rapidamente nas últimas semanas». Paul McLeary, o jornalista que escreveu a peça do Politico, avança que o Departamento de Defesa, agora Departamento de Guerra, «passou meses a posicionar as tropas e o armamento necessários para que os EUA lancem um ataque militar contra Cuba» e que «basta agora uma autorização final de Donald Trump». «Estes recursos estrategicamente posicionados», explica ainda McLeary, «preparam o terreno para uma ação militar, desde a captura dos líderes de Havan - à semelhança da detenção do ex-Presidente venezuelano Nicolás Maduro - até uma série de ataques de precisão».
Para justificar esta intervenção, a administração americana tem dado principalmente dois motivos: primeiro, o de que, nas palavras de Trump, está a «libertar Cuba»; depois, segundo o secretário de Estado Marco Rubio, o da segurança nacional. «Ter um Estado falhado a 145 quilómetros das nossas costas constitui uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos», explicou o chefe da diplomacia norte-americana.
Por isto, a terceira intervenção no estrangeiro - em menos de seis meses - da segunda administração Trump está mesmo iminente.