segunda-feira, 09 mar. 2026

Instalações da Comissão Europeia alvo de buscas por suspeitas na venda de 23 edifícios ao Estado belga

Procuradoria Europeia investiga possíveis irregularidades num negócio imobiliário de 900 milhões de euros realizado em 2024
Instalações da Comissão Europeia alvo de buscas por suspeitas na venda de 23 edifícios ao Estado belga

As instalações da Comissão Europeia, em Bruxelas, foram esta quinta-feira alvo de buscas no âmbito de uma investigação conduzida pela Procuradoria Europeia (EPPO) sobre alegadas irregularidades na venda de 23 edifícios ao Estado belga, confirmou fonte próxima do processo.

Em comunicado citado pela agência France-Presse (AFP), a EPPO indicou que a operação visou a “recolha de indícios de provas” numa investigação em curso. As buscas decorreram em vários departamentos da Comissão, incluindo a área orçamental, segundo avançou o jornal britânico Financial Times, que revelou o caso.

Venda de 900 milhões de euros

Em causa está a alienação, em 2024, de 23 edifícios localizados no bairro europeu de Bruxelas, num negócio estimado em cerca de 900 milhões de euros. Os imóveis terão sido adquiridos pelo fundo soberano belga SFPIM, de acordo com o Financial Times, que cita fontes próximas do processo.

A venda ocorreu durante o mandato do então comissário europeu para o Orçamento e Administração, Johannes Hahn (2019-2024).

A Comissão Europeia confirmou estar a ser investigada, mas garantiu que o processo decorreu “em conformidade com as regras e protocolos estabelecidos”.

“Estamos confiantes de que o processo foi conduzido de forma adequada”, afirmou um porta-voz da instituição, citado pela AFP.

O executivo comunitário assegurou ainda que irá “cooperar plenamente” com a Procuradoria Europeia e com as autoridades belgas, disponibilizando todas as informações necessárias para uma investigação “aprofundada e independente”.

Reorganização do parque imobiliário

A alienação dos edifícios enquadra-se na estratégia anunciada pela Comissão Europeia em 2024 para reduzir em cerca de 25% a sua área de escritórios até 2030, na sequência do aumento do teletrabalho após a pandemia de covid-19.

O acordo com o Estado belga prevê a reconversão dos imóveis para habitação, comércio e empresas, integrando-se também num plano mais vasto das autoridades belgas para transformar o bairro europeu de Bruxelas.

Investigação criminal em curso

A polícia belga confirmou a realização de buscas nos escritórios da Comissão Europeia e da SFPIM no âmbito de uma investigação criminal. No entanto, tanto a Procuradoria Europeia como as autoridades judiciais belgas recusaram prestar mais esclarecimentos sobre o estado do processo.

A SFPIM declarou igualmente estar a cooperar com as autoridades.

A Procuradoria Europeia, organismo independente responsável por investigar crimes que afetam os interesses financeiros da União Europeia, não avançou detalhes adicionais sobre as suspeitas ou eventuais arguidos.

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