Um homem de 65 anos confessou à Guarda Civil espanhola ter matado e esquartejado um conhecido seu em 2020, pondo fim a uma investigação que se arrastava havia quase seis anos. O caso, centrado no desaparecimento de Francisco José Agüera em Coín, na província de Málaga, só começou a desvendar-se depois de um crânio humano ter sido encontrado, em 2025, dentro de um saco de plástico junto à urbanização Pinos de Alhaurín.
As primeiras análises forenses identificaram erradamente os restos como pertencentes a uma mulher, o que atrasou a investigação. Só no início de 2026 é que testes genéticos mais avançados confirmaram que o crânio pertencia a Agüera. Este avanço permitiu à unidade de homicídios da Guarda Civil concentrar as diligências, apesar do longo período já decorrido desde o crime. Os depoimentos de familiares e amigos ajudaram a reduzir a lista de suspeitos, apontando eventualmente para um conhecido da vítima cuja irmã vivia perto do local onde o crânio foi descoberto.
Quando confrontado pela primeira vez, o suspeito negou qualquer envolvimento, invocando os seus conhecimentos de séries policiais como CSI e Dexter e garantindo que os investigadores nunca encontrariam provas contra ele. Contudo, perante a vigilância tecnológica reforçada e as provas que se foram acumulando, acabou por confessar. Segundo a sua versão, o homicídio resultou de uma discussão motivada por uma suspeita de furto, ainda que as autoridades mantenham reservas quanto a esta explicação. O que ficou estabelecido é que o suspeito preparou a própria casa com antecedência, forrando as superfícies com plástico antes de desmembrar o corpo ao longo de vários dias, selando depois cada parte em várias camadas de sacos, juntamente com as luvas de látex que usou no processo.
Os restos foram distribuídos por diferentes zonas de Alhaurín de la Torre, tendo o suspeito chegado a forrar o interior do próprio carro com plástico para evitar deixar vestígios biológicos. Apesar das buscas forenses alargadas, que incluíram o recurso a cães especializados, a maior parte dos restos de Agüera continua por localizar. O detido, já em prisão preventiva, guiou os investigadores a vários locais, entre eles uma pequena gruta e a zona onde foi encontrado o tronco, embora algumas dessas áreas se encontrem hoje inacessíveis devido a novas construções, avança o El Español.