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Uma operação que se esperava que fosse no escuro da noite, foi realizada em plena luz do dia. Tudo estava a ser preparado há muito tempo, de acordo com os EUA E Israel, e os detalhes mostram como foi conduzido o ataque que vitimou o líder supremo do Irão Ali Khamenei.
Segundo o que noticia o Financial Times, os serviços secretos israelitas piratearam as câmaras de trânsito no Irão e, com ferramentas de Inteligência Artificial, conseguiram identificar padrões e rotinas dos agentes de segurança de Khamenei. Através deste sistema conseguiram, por exemplo perceber onde costumavam estar estacionados os carros dos seguranças.
Mas este não é um processo de agora: de acordo com duas fontes israelitas, praticamente todas as câmaras de trânsito de Teeraõ estão a ser "hackeadas" há anos por Telavive. "Conhecemos o Teerão como conhecemos Jerusalém", garantiu uma fonte dos serviços secretos israelistas ao jornal.
No dia da operação, Israel conseguiu mais: alterou o funcionamento de quase doze torres de telemóveis próximas à rua Pasteur, localidade das instalações do líder do Irão. O objetivo era simples (e muito pensado): sem sinal móvel, os seguranças de Khamenei não recebiam alertas de um ataque iminente.
Na preparação do ataque, o país de Netanyahu aproveitou ainda o algoritmo e mais ferramentas de Inteligência Artificial para analisar milhares de dados e identificar os alvos a abater. As informações, recolhidas pela Unidade 8200 das Forças de Defesa de Israel (IDF) e por agentes da Mossad, principal serviço secreto de inteligência externa de Israel, incluem moradas de agentes de segurança, as suas rotas diárias e as horas de trabalho.
Segundo os agentes secretos ouvidos pelo Financial Times, matar Khamenei não foi uma "conquista tecnológica, mas sim uma decisão política".
No entanto, como a operação "Fúria Épica" é uma operação conjunta entre Israel e os EUA, as informações recolhidas por Telavive foram alinhadas às fornecidas pela CIA, principal serviço civil de inteligência externa do governo de Washington. Também estes seguiam Ali Khamenei há vários meses. Apesar de a operação estar organizada há muito tempo, tudo foi ajustado quando os dois serviços secretos identificaram muito perto do início da operação o local e momento exato em que o líder supremo iraniano estivesse reunido com altos oficiais do Irão.
Ali Khamenei morreu na manhã de sábado, pelas 9h40, no complexo que foi atingido por 30 bombas e onde estavam figuras de topo. Entre elas, o comandante da Guarda Revolucionária Mohammad Pakpour, o ministro da Defesa Aziz Nasirzadeh e o vice-ministro das Informações, Mohammad Shirazi, acabando todos também por morrer.