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Um novo incêndio florestal que deflagrou esta quarta-feira perto de Almorox, na província de Toledo, obrigou à retirada de populações de várias localidades e ao confinamento de outra, numa altura em que Espanha enfrenta uma vaga de calor e uma sucessão de fogos de grandes dimensões.
Segundo os serviços de emergência da Comunidade de Madrid, os moradores das localidades de Encinar del Alberche, Ribera del Alberche e Rincón del Alberche foram retirados das suas casas. Já a população de Villa del Prado foi colocada em confinamento, com as autoridades a recomendar que os residentes permanecessem no interior das habitações, com portas e janelas fechadas.
A Guarda Civil apoiou a retirada de moradores da urbanização El Encinar del Alberche. Vários eixos rodoviários foram também cortados devido à progressão das chamas e à reduzida visibilidade provocada pelo fumo.
As autoridades enviaram por duas vezes alertas para os telemóveis das pessoas que se encontravam na zona, numa tentativa de avisar a população sobre a rápida evolução do incêndio.
O fogo começou em Almorox, na região de Castela-Mancha, a cerca de 70 quilómetros a sudoeste de Madrid, e as autoridades mantiveram durante a noite o perímetro considerado estável. Um total de 13 veículos de combate a incêndios foi mobilizado para o local.
A Proteção Civil espanhola alertou ainda para a possibilidade de a coluna de fumo atravessar o território de Villa del Prado devido à mudança prevista na direção do vento.
"É importante que pessoas com problemas respiratórios se protejam fechando as janelas durante a noite para reduzir a exposição", indicaram as autoridades, pedindo também cautela nas deslocações.
Espanha enfrenta vaga de incêndios
O incêndio de Almorox surge num momento de elevada pressão sobre os meios de combate a incêndios em Espanha, devido às temperaturas extremas que afetam grande parte do país.
A vaga de calor, que começou na terça-feira, deverá atingir o pico entre quarta e quinta-feira, com temperaturas próximas dos 40 graus centígrados em várias regiões do interior e superiores a 42 graus na Andaluzia.
A combinação de calor extremo, vento e baixos níveis de precipitação registados nos últimos meses tem criado condições favoráveis à rápida propagação das chamas, sobretudo em áreas onde a vegetação rasteira funciona como combustível.
Segundo dados oficiais, Espanha registou já este ano 22 grandes incêndios, classificados como fogos que afetam mais de 500 hectares. Só no primeiro semestre, arderam mais de 125 mil hectares, um valor que iguala a média anual registada na última década.
Incêndio em Guadalajara já destruiu 32 mil hectares
O maior incêndio em curso encontra-se na província de Guadalajara, a cerca de 100 quilómetros a norte de Madrid, e já devastou aproximadamente 32 mil hectares desde quinta-feira passada.
O fogo, que chegou a ameaçar dezenas de localidades, obrigou à retirada de habitantes de 34 aldeias. Mais de 200 bombeiros, apoiados por meios terrestres e aéreos, foram mobilizados para combater as chamas.
As autoridades consideram que o incêndio permanece ativo, mas encontra-se numa fase de estabilização. O Governo de Castela-Mancha já levantou os avisos de retirada em cinco localidades da Serra Norte e autorizou o regresso de residentes afetados pelos incêndios de Selas, em Guadalajara, e Barcones, na província de Soria.
As equipas de emergência conseguiram proteger habitações nas 40 aldeias abrangidas pela área afetada, cerca de 90% da qual integra um parque nacional.
O presidente regional de Castela-Mancha, Emiliano García-Page, espera que o incêndio, ativo há quase uma semana, possa estar controlado até sexta-feira.
A ministra espanhola para a Transição Ecológica, Sara Aagesen, classificou o fogo de Guadalajara como "um dos maiores da história recente do país" e o maior de sempre na região de Castela-Mancha.
Pedro Sánchez pede pacto contra alterações climáticas
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, visitou na quarta-feira a zona afetada pelo incêndio de Guadalajara e apelou à criação de um pacto entre os partidos políticos para enfrentar as consequências das alterações climáticas.
"Ano após ano vemos claramente como as alterações climáticas matam e destroem riqueza nas nossas comunidades", afirmou o chefe do Governo espanhol, defendendo que a resposta ao problema deve basear-se na ciência.
"Isto não é política. É ciência, são factos", acrescentou.
Os incêndios ocorrem menos de duas semanas depois de um outro fogo mortal ter devastado uma pequena comunidade de expatriados no sul de Espanha, provocando 13 mortos, incluindo vários cidadãos estrangeiros.
As autoridades espanholas mantêm-se em alerta devido à previsão de temperaturas extremas e às condições meteorológicas que favorecem a propagação dos incêndios. A situação deverá continuar a ser acompanhada de perto durante os próximos dias, numa altura em que várias regiões permanecem sob aviso devido ao calor intenso.