segunda-feira, 17 ago. 2026

Incêndio que consumiu mais de 50 mil hectares em Espanha terá começado numa obra ilegal

A investigação ao incêndio que devastou a Serra de Burgohondo, em Espanha, aponta para uma obra realizada com maquinaria pesada numa altura em que esse tipo de trabalhos estava proibido. Uma simples faísca poderá ter desencadeado um fogo que consumiu mais de 50 mil hectares.
Incêndio que consumiu mais de 50 mil hectares em Espanha terá começado numa obra ilegal

O incêndio florestal que devastou mais de 50 mil hectares na Serra de Burgohondo, na província de Ávila, em Espanha, terá tido origem numa faísca provocada por maquinaria pesada utilizada durante trabalhos realizados sem autorização e em violação das restrições impostas pelas autoridades devido ao elevado perigo de incêndio.

A conclusão é avançada pelo jornal El Mundo que teve acesso a imagens exclusivas da investigação e a documentos da Guardia Civil.

Segundo o diário espanhol, no momento em que o incêndio começou, estava a decorrer uma intervenção para abertura de um caminho numa área florestal com a máquina. Esse tipo de trabalhos encontrava-se proibido devido às condições meteorológicas e ao risco extremo de incêndio que vigorava na região.

As imagens recolhidas durante a investigação mostram a escavadora a operar pouco antes do início das chamas e permitiram aos peritos localizar o ponto exato onde terá surgido o primeiro foco de incêndio. Segundo o mesmo jornal, a máquina estaria a ser conduzida por um trabalhador de Arenas de San Pedro, conhecido por El Perejil, que acabou por ser detido pela Guardia Civil.

Uma simples faísca deu origem a um incêndio devastador

De acordo com as imagens, o contacto da maquinaria com pedras terá produzido uma faísca suficiente para inflamar a vegetação seca. As condições meteorológicas extremas, marcadas por temperaturas elevadas, vento forte e baixa humidade, fizeram o resto, permitindo que o fogo se propagasse rapidamente por uma vasta área florestal.

As chamas consumiram mais de 50 mil hectares, destruíram floresta, terrenos agrícolas e obrigaram à retirada preventiva de habitantes de várias localidades da província de Ávila, tornando-se um dos maiores incêndios registados este verão em Espanha.

Segundo o mesmo jornal, quem encomendou o trabalho ilegal foi a Associação Pecuária Burgohondo, cujo o presidente já admitiu ter alugado a máquina que causou o incêndio. Já o responsável da empresa que estava a realizar a obra florestal sem licença recusou-se a comentar.

Governo regional vai avançar para tribunal

Perante a dimensão dos danos, o Governo de Castela e Leão anunciou que se irá constituir como assistente no processo judicial, com o objetivo de exigir responsabilidades civis e criminais aos alegados responsáveis pelo incêndio.

A investigação prossegue sob coordenação da Guardia Civil, que continua a recolher provas e testemunhos para esclarecer todas as circunstâncias que estiveram na origem de um dos incêndios mais devastadores registados nos últimos anos em Espanha.