Os rebeldes huthis do Iémen, aliados do Irão, anunciaram este sábado a entrada direta na guerra que há um mês abala o Médio Oriente, ao lançarem um ataque com mísseis balísticos contra Israel.
O exército israelita confirmou ter detetado o lançamento de um míssil a partir do território iemenita, acionando os sistemas de defesa antiaérea. Os huthis afirmam ter atingido “alvos militares sensíveis”, rompendo assim o acordo tácito de cessar-fogo que vigorava desde outubro de 2025.
A entrada dos huthis representa uma escalada significativa num conflito já marcado pela ofensiva inicial dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, a 28 de fevereiro, e que não apresenta sinais de abrandamento.
O grupo iemenita justificou o ataque como resposta às operações militares israelitas em territórios palestinianos, no Líbano, no Iraque e no próprio Irão, prometendo continuar as ações “até ao fim da agressão em todas as frentes”.
Entretanto, Israel prossegue os ataques contra território iraniano. Em Teerão, foram ouvidas várias explosões durante a madrugada, com colunas de fumo a elevar-se na zona leste da cidade.
A central nuclear de Bushehr foi atingida pela terceira vez em dez dias, segundo a Agência Internacional de Energia Atómica, aumentando os receios de um agravamento da crise nuclear.
O conflito continua a ter fortes repercussões económicas, com destaque para o bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irão — por onde circula cerca de um quinto do petróleo mundial.
O vice-presidente iraniano, Esmael Saghab Esfahani, advertiu que uma eventual intervenção terrestre poderá fazer disparar o preço do petróleo para níveis mínimos de 150 dólares por barril.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou que os objetivos militares dos Estados Unidos poderão ser alcançados “nas próximas duas semanas”, embora persistam indicações de que Estados Unidos ponderam reforçar a presença militar na região.
Impacto global e medidas de emergência
As consequências já se fazem sentir à escala global. Governos de cidades como Tóquio, Berlim, Varsóvia e Paris adotaram medidas para conter o impacto da crise energética.
No Sri Lanka, foi reduzida a iluminação pública noturna, enquanto na Tailândia a climatização em edifícios públicos passou a estar limitada.
No terreno, o conflito continua a fazer vítimas. Em Israel, pelo menos uma pessoa morreu e duas ficaram feridas em Telavive após novos ataques iranianos.
Na Arábia Saudita, um ataque a uma base aérea deixou pelo menos 12 militares norte-americanos feridos.
A situação humanitária agrava-se também no Líbano, onde o movimento xiita Hezbollah entrou no conflito no início do mês. Segundo dados oficiais, a guerra já causou mais de 1.100 mortos e mais de um milhão de deslocados naquele país.
Um mês após o início da guerra, o cenário é de escalada e imprevisibilidade. Os civis continuam a pagar o preço mais elevado, enquanto a comunidade internacional observa com crescente preocupação um conflito que ameaça alastrar e aprofundar a crise energética e geopolítica global.