sexta-feira, 12 jun. 2026

Hantavírus: Cinco passageiros deixam quarentena após surto mortal em cruzeiro

Cinco dos 18 passageiros repatriados para os Estados Unidos após um surto de hantavírus associado a um cruzeiro já regressaram a casa. O surto provocou três mortes e está ligado a 11 casos em vários países.
Hantavírus: Cinco passageiros deixam quarentena após surto mortal em cruzeiro

Cinco dos 18 passageiros repatriados para os Estados Unidos após um surto de hantavírus a bordo de um navio de cruzeiro já deixaram a quarentena e regressaram a casa, anunciaram as autoridades de saúde norte-americanas.

Os passageiros estavam sob vigilância no Centro Médico da Universidade de Nebraska, em Omaha, desde meados de maio. Apesar da exposição ao vírus, nenhum dos 18 repatriados desenvolveu sintomas da doença.

Segundo as autoridades, os cinco passageiros que agora regressaram às suas residências continuarão a ser acompanhados pelos departamentos de saúde dos respetivos estados, através de monitorização diária.

A viagem de regresso foi organizada pelas autoridades federais em articulação com entidades estaduais e locais. De acordo com a informação divulgada, o transporte foi efetuado fora dos circuitos comerciais e com medidas específicas de biocontenção.

Entre os passageiros que permanecem sob acompanhamento encontram-se 17 cidadãos norte-americanos e um cidadão britânico residente nos Estados Unidos.

Três mortes e 11 casos ligados ao cruzeiro

O surto está associado ao navio de expedição MV Hondius, que chegou às Canárias a 10 de maio após uma viagem iniciada em Ushuaia, na Argentina, com escalas em várias ilhas do Atlântico Sul.

Durante a viagem foram identificados vários casos de infeção por hantavírus, que resultaram em três mortes.

Entretanto, o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) revelou que foram detetados mais três casos após o desembarque dos passageiros, incluindo um em França, um em Espanha e outro no Canadá.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), foram reportados 11 casos associados ao cruzeiro, dos quais oito tiveram confirmação laboratorial.

Origem da infeção continua por esclarecer

As autoridades internacionais de saúde ainda não conseguiram determinar a origem exata do surto.

Contudo, a OMS considera provável que a primeira infeção tenha ocorrido antes do início da expedição, a 1 de abril. Essa hipótese baseia-se no facto de o primeiro passageiro que morreu, um cidadão neerlandês de 70 anos, ter desenvolvido sintomas logo a 6 de abril.

O período de incubação do hantavírus pode variar entre uma e seis semanas, o que dificulta a identificação precisa do momento e local de contágio.

O que é o hantavírus?

O hantavírus é uma infeção rara que pode provocar uma síndrome respiratória aguda potencialmente grave.

Atualmente não existe vacina nem tratamento específico para a doença, sendo os cuidados médicos direcionados para o controlo dos sintomas e o suporte respiratório dos doentes mais graves.

De acordo com os dados divulgados pela OMS, a taxa de letalidade observada neste surto é de cerca de 27%, embora as autoridades sublinhem que a investigação epidemiológica continua em curso e que os números poderão ser revistos à medida que surjam novos dados.