quarta-feira, 13 mai. 2026

Guerra no Médio Oriente ameaça segurança alimentar global e pressiona agricultura

Responsável da FAO avisa que o conflito está a afetar cadeias de abastecimento, encarecer a produção agrícola e terá impacto prolongado na segurança alimentar mundial
Guerra no Médio Oriente ameaça segurança alimentar global e pressiona agricultura

A guerra no Médio Oriente está a intensificar a pressão sobre as cadeias de abastecimento globais e poderá ter consequências duradouras para a agricultura, alertou esta segunda-feira o diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura.

Durante a abertura da 38.ª Sessão da Conferência Regional da FAO para o Médio Oriente (NERC38), realizada em Roma, Qu Dongyu descreveu o atual contexto como um “momento crítico” para a região, segundo um comunicado citado pela agência EFE.

O responsável alertou que o impacto da crise se estende a “todos os insumos agrícolas”, incluindo produtos químicos, fertilizantes e maquinaria, sublinhando que as perturbações poderão deixar efeitos estruturais mesmo após o fim do conflito.

Qu Dongyu afirmou ainda ter transmitido ao secretário-geral da ONU, António Guterres, que as consequências da atual instabilidade terão “impacto a longo prazo na agricultura”, independentemente da duração da guerra.

Entre as principais preocupações está a manutenção dos fluxos comerciais e o acesso a alimentos, sobretudo nos países mais dependentes de importações. A FAO alerta que qualquer disrupção prolongada pode agravar situações de insegurança alimentar já existentes.

O responsável destacou também que a crise no Médio Oriente está a ser agravada por fatores globais, como o aumento dos preços da energia e as perturbações nos mercados de fertilizantes, o que está a encarecer a produção agrícola e a reduzir a produtividade.

Neste contexto, a FAO sublinha que “a paz é um pré-requisito para a segurança alimentar”, defendendo a necessidade de sistemas agroalimentares mais eficientes, resilientes e sustentáveis como forma de mitigar riscos futuros.

A conferência, presidida pelos Emirados Árabes Unidos, reúne responsáveis políticos e especialistas para avaliar um cenário de risco crescente que afeta diretamente a estabilidade alimentar na região e no mundo