Gerhard Schroeder rejeitado como mediador nas negociações de paz com a Rússia

A Ucrânia e a Alemanha rejeitaram a hipótese de o ex-chanceler alemão Gerhard Schroeder mediar negociações de paz com Moscovo. Kyiv e Berlim consideram que a proximidade do antigo líder alemão a Vladimir Putin compromete a sua neutralidade.
Gerhard Schroeder rejeitado como mediador nas negociações de paz com a Rússia

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia rejeitou esta segunda-feira, em Bruxelas, a possibilidade de o antigo chanceler alemão Gerhard Schroeder atuar como mediador europeu nas negociações para tentar pôr fim à guerra entre Rússia e Ucrânia.

“Não apoiamos de todo um candidato assim”, afirmou Andrii Sybiha antes da reunião do Conselho de Ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia, segundo a agência pública ucraniana Ukrinform.

A hipótese de mediação por parte de Schroeder foi sugerida pelo Presidente russo, Vladimir Putin, mas Kyiv considera que existem “muitos outros líderes” mais adequados para desempenhar esse papel.

O chefe da diplomacia ucraniana destacou ainda que a União Europeia pode assumir um papel complementar nas negociações de paz, em articulação com os esforços liderados pelos Estados Unidos.

“Temos as conversações principais lideradas pelos Estados Unidos, precisamos dessa liderança norte-americana, mas a Europa também poderia desempenhar um novo papel”, afirmou Sybiha.

Também o Governo alemão rejeitou a proposta avançada por Moscovo, com o ministro alemão para os Assuntos Europeus a afirmar que Gerhard Schroeder “não demonstrou no passado ter o necessário para atuar como mediador neutral”.

Segundo Berlim, a proximidade do antigo chanceler à Rússia e ao Presidente Vladimir Putin compromete a sua imparcialidade. “Está, e também se deixou influenciar claramente por Putin”, declarou Gunther Krichbaum.

O governante alemão acrescentou ainda que qualquer mediador internacional terá de ser aceite tanto por Kyiv como por Moscovo.

Também o ministro dos Negócios Estrangeiros de Itália, Antonio Tajani, considerou que será a União Europeia a decidir quem representará o bloco em eventuais negociações de paz com a Rússia.

Questionado sobre a possibilidade de o presidente do Conselho Europeu, António Costa, assumir esse papel, Tajani descreveu o antigo primeiro-ministro português como um “nome prestigiado”.

Já a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, rejeitou igualmente o nome de Schroeder, recordando as funções desempenhadas pelo ex-chanceler em empresas energéticas russas após abandonar a política alemã.

Kallas classificou-o como um antigo “lobista de alto nível para empresas estatais russas”.

Gerhard Schroeder, que liderou a Alemanha entre 1998 e 2005, mantém há anos ligações próximas ao setor energético russo e tornou-se uma figura altamente polémica após a invasão da Ucrânia pela Rússia.

Em 2022, renunciou ao cargo no conselho de administração da Gazprom, depois da pressão internacional provocada pela guerra. Nesse mesmo ano, o parlamento alemão retirou-lhe parte dos privilégios atribuídos aos antigos chanceleres.