A queixa vem da fundação espanhola de advogados cristãos que acusa a médica responsável pelo processo de Noelia Castillo, a jovem que morreu por eutanásia no dia 26 de março, de "prevaricação e conflito de interesses".
A denúncia enviada ao Tribunal de Primeira Instância de Barcelona surge em representação do pai da jovem, de acordo com a emissora espanhola Telecinco. O homem é o principal responsável por o processo da filha não ter sido resolvido mais cedo, já que se impôs legalmente contra a decisão da jovem. "A própria médica redigiu à mão o pedido de eutanásia da paciente, incluindo como primeiro ponto o desejo de Noelia ser dadora de órgãos e tecidos", pode ler-se no comunicado emitido pelos advogados, citado pela emissora.
Os advogados afirmam que a médica desempenhava uma dupla função, por ser responsável da entidade pública de transplantes espanhola Consorci Sanitari Alt Penedès-Garraf, alegando que a profissional de saúde podia ter um "interesse institucional direto na obtenção de órgãos" e que a sua intervenção foi uma "violação do procedimento". “É especialmente grave, já que não foi a paciente quem o registou, mas sim a própria facultativa, que, além disso, exercia como coordenadora de transplantes”, explicam.
A médica é ainda acusada de não ser a "médica habitual" da jovem. "Os regulamentos exigem uma separação absoluta entre o processo de eutanásia e a doação de órgãos, proibindo expressamente o envolvimento de profissionais que possam beneficiar-se do resultado", afirmam, algo que não se verificou, segundo os Advogados Cristãos.
A Fundação sublinha ainda que Noelia terá revogado "no último momento a doação de órgãos que constava no pedido inicial". Além disso, referem que a jovem de 25 anos terá solicitado o adiamento do processo da eutanásia, por estar num "estado de confusão". "Houve falta de garantias na avaliação realizada e flutuações na sua vontade", alegam.
"Estamos diante de um caso muito sério que põe em questão as garantias do sistema", refere a presidente da fundação espanhola de advogados cristãos, Polonia Castellanos. “Não se pode decidir sobre a vida de uma pessoa quando existe um interesse direto na obtenção de seus órgãos”, acrescenta.
Recorde-se que Noelia Castillo morreu no passado dia 26 de março, após um pedido formal para a morte medicamente assistida em 2024, que foi contraposto pelo pai durante 601 dias.