segunda-feira, 13 abr. 2026

"Foi uma violação da lei". Advogados cristãos de Espanha apresentam queixa contra médica responsável pela eutanásia de Noelia Castillo

Os advogados afirmam que a médica podia estar num conflito de interesses por ser responsável por uma entidade pública de transplantes espanhola.
"Foi uma violação da lei". Advogados cristãos de Espanha apresentam queixa contra médica responsável pela eutanásia de Noelia Castillo

A queixa vem da fundação espanhola de advogados cristãos que acusa a médica responsável pelo processo de Noelia Castillo, a jovem que morreu por eutanásia no dia 26 de março, de "prevaricação e conflito de interesses".

A denúncia enviada ao Tribunal de Primeira Instância de Barcelona surge em representação do pai da jovem, de acordo com a emissora espanhola Telecinco. O homem é o principal responsável por o processo da filha não ter sido resolvido mais cedo, já que se impôs legalmente contra a decisão da jovem. "A própria médica redigiu à mão o pedido de eutanásia da paciente, incluindo como primeiro ponto o desejo de Noelia ser dadora de órgãos e tecidos", pode ler-se no comunicado emitido pelos advogados, citado pela emissora.

Os advogados afirmam que a médica desempenhava uma dupla função, por ser responsável da entidade pública de transplantes espanhola Consorci Sanitari Alt Penedès-Garraf, alegando que a profissional de saúde podia ter um "interesse institucional direto na obtenção de órgãos" e que a sua intervenção foi uma "violação do procedimento". “É especialmente grave, já que não foi a paciente quem o registou, mas sim a própria facultativa, que, além disso, exercia como coordenadora de transplantes”, explicam.

A médica é ainda acusada de não ser a "médica habitual" da jovem. "Os regulamentos exigem uma separação absoluta entre o processo de eutanásia e a doação de órgãos, proibindo expressamente o envolvimento de profissionais que possam beneficiar-se do resultado", afirmam, algo que não se verificou, segundo os Advogados Cristãos.

A Fundação sublinha ainda que Noelia terá revogado "no último momento a doação de órgãos que constava no pedido inicial". Além disso, referem que a jovem de 25 anos terá solicitado o adiamento do processo da eutanásia, por estar num "estado de confusão". "Houve falta de garantias na avaliação realizada e flutuações na sua vontade", alegam.

"Estamos diante de um caso muito sério que põe em questão as garantias do sistema", refere a presidente da fundação espanhola de advogados cristãos, Polonia Castellanos. “Não se pode decidir sobre a vida de uma pessoa quando existe um interesse direto na obtenção de seus órgãos”, acrescenta.

Recorde-se que Noelia Castillo morreu no passado dia 26 de março, após um pedido formal para a morte medicamente assistida em 2024, que foi contraposto pelo pai durante 601 dias.