Foi condenado à morte há 29 anos, já teve nove execuções marcadas e três "últimas refeições": agora está em liberdade

Richard Glossip passou quase três décadas no corredor da morte nos Estados Unidos. Aos 63 anos, saiu da prisão em liberdade condicional depois de o Supremo Tribunal considerar que o julgamento pode ter sido influenciado por falso testemunho.
Foi condenado à morte há 29 anos, já teve nove execuções marcadas e três "últimas refeições": agora está em liberdade

O nome dele é Richard Glossip. Tem 63 anos e foi condenado em 1998, há 29 anos, a uma pena de morte. Depois de nove datas marcadas para a excecução e três "últimas refeições", Richard está em liberdade condicional.

Em 1998, Glossip foi condenado pelo seu envolvimento no homicídio do seu ex-chefe, o proprietário do motel de Oklahoma City, Barry Van Treese, de 54 anos, a 7 de janeiro de 1997. Van Treese foi espancado até à morte por Justin Sneed, então com 19 anos, que estava hospedado no motel.

Glossip, o gerente do motel, começou por negar qualquer conhecimento do plano de assassinato, mas acabou por admitir que Sneed o tinha revelado. Foi inicialmente acusado de ser cúmplice, mas Sneed afirmou no seu testemunho que o plano tinha sido a pedido de Richard, para que pudesse gerir o motel sozinho.

Depois desse testemunho, a acusação de Glossip foi elevada para homicídio qualificado, tendo ficado retratado como "o cérebro" por trás do plano de assassinato. Sneed foi condenado a prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional em troca da sua confissão de culpa e depoimento contra Richard.

Em fevereiro de 2025, o tribunal decidiu anular a condenação e sentença de morte de Glossip, após 29 anos de batalha judicial, por considerarem que os procuradores não confirmaram o falso testemunho no seu julgamento em 1998, que poderá ter influenciado o júri, de acordo com o revelado pela CNN Internacional.

Em "falso testemunho" referem-se a Justin Sneed e à sua convicção de que foi Glossip que planeou o assassinato - que foi o único elo que ligava Glossip ao homicídio.

"Essa correção teria revelado ao júri não apenas que Sneed não era confiável (o júri já sabia que ele mentiu repetidamente para a polícia), mas também que Sneed estava disposto a mentir sob juramento", escreveu a juíza Sonia Sotomayor.

Os procuradores concordaram, assim, em fazer um novo julgamento do caso. No entanto, não será fácil, uma vez que nestes 29 anos testemunhas morreram e algumas provas foram perdidas ou destruídas.

Richard Glossip está agora pela primeira vez nestes 29 anos fora da prisão e garantiu estar grato à esposa e aos advogados por o terem conseguido. "É avassalador, mas ao mesmo tempo é incrível", afirmou em declarações aos jornalistas. O tribunal emitiu uma fiança de 500 mil dólares (cerca de 430 mil euros), fiança que lhe tinha sido negada anteriormente.

A juíza distrital do condado de Oklahoma, Natalie Mai, explicou, no entanto, que "o Tribunal conclui que não pode negar a fiança a Glossip", uma vez que as provas recolhidas "não sustentam que ele seja culpado de homicídio em primeiro grau além de qualquer dúvida razoável".

Richard está em liberdade condicional, com o uso de pulseira eletrónica para controlar a localização, sendo obrigado a permanecer no estado de Oklahoma, o cumprimento do recolher das 22h00 às 07h00 e a ausência de contacto com possíveis testemunhas ou familiares da vítima.

Após a decisão do tribunal supremo, o advogado de Glossip afirmou à CNN Internacional que Richard "terá a chance de ter o julgamento justo que sempre lhe foi negado". A próxima audiência está marcada para o dia 23 de junho.