Guardar as cinzas da forma tradicional estava a revelar-se uma prática cara para estas pessoas que decidiram adotar apartamentos vazios para colocar as cinzas dos seus entes queridos.
Esta é uma prática cada vez mais comum na China, que obrigou agora o governo chinês a por fim aos chamados "apartamentos de cinzas", que substituem os lotes caros em cemitérios.
Os "apartamentos de cinzas" são imóveis vazios que são reaproveitados como "salas rituais" para colocar as cinzas do familiar dentro daquele espaço, que se torna um "altar ancestral". Geralmente são identificáveis por cortinas fechadas e janelas vedadas.
De acordo com o noticiado pela BBC, que cita a imprensa chinesa, a legislação proíbe o uso de propriedades residenciais "especificamente para a colocação de cinzas". Abrange ainda o enterro de restos mortais fora de cemitérios e "áreas onde o sepultamento ecolóico seja permitido".
Esta prática é proporcionada sobretudo pela queda dos preços de imóveis na China, que estão atualmente cerca de 40% mais baixos do que os valores de 2021: pelo contrário, os espaços em cemitérios são limitados e obrigam a um arrendamento temporário que deve ser renovado a cada 20 anos.
Como exemplo, a BBC explica que o preço de um lote no Cemitério Changping Tianshou em Pequim varia entre cerca de 10 mil yuan (cerca de 1.230 euros) e 200 mil yuan (24.600 euros). A isto acresce o custo dos funerias que, em 2020, custava quase metade do slaário anual médio do país.
A nova proibição do governo chinês surge poucos dias antes do Festival Quingming ("Dia da Limpeza de Túmulos", quando a população costuma cuidar das sepulturas dos familiares, além de ofertas rituais.