sexta-feira, 07 ago. 2026

Filho esconde cadáver da mãe no congelador durante três anos para continuar a receber pensão

Um homem de 60 anos foi condenado no País de Gales a dois anos e quatro meses de prisão por esconder o corpo da mãe num congelador durante quase três anos e continuar a receber a pensão e apoios sociais da idosa, num caso que chocou o Reino Unido
Filho esconde cadáver da mãe no congelador durante três anos para continuar a receber pensão

Christopher Phillips, de 60 anos, foi condenado pelo Tribunal de Merthyr Tydfil, no País de Gales, a dois anos e quatro meses de prisão por fraude e profanação de cadáver, depois de manter o corpo da mãe, Sylvia Phillips, de 89 anos, escondido num congelador horizontal na sala da casa onde ambos viviam.

A idosa morreu em março de 2023, mas o filho nunca comunicou o óbito às autoridades. Em vez disso, colocou o corpo no congelador, envolvido num cobertor de seda com padrão leopardo, decorado com flores e acompanhado por um cartão de aniversário assinado por si e pelo cão da família.

Recebeu mais de 91 mil euros após a morte da mãe

Durante o período em que ocultou o cadáver, Christopher Phillips continuou a aceder à conta bancária da mãe e recebeu cerca de 78.190 libras (aproximadamente 91,3 mil euros) em pensões e prestações sociais, incluindo apoios à habitação e subsídios de inverno.

Segundo o tribunal, o arguido levantou também poupanças da vítima, beneficiando financeiramente da morte da mãe durante vários anos.

Mentiu a médicos e à polícia

O caso foi descoberto em fevereiro de 2026, depois de o médico de família solicitar uma verificação do bem-estar da idosa, que não era observada desde 2022, apesar de continuar a ter prescrições médicas ativas.

Quando a polícia chegou à residência, Christopher Phillips afirmou que a mãe tinha viajado para Londres para visitar familiares. A explicação levantou suspeitas e, durante a busca à habitação, os agentes encontraram o corpo totalmente congelado.

A autópsia não conseguiu determinar a causa da morte, mas as autoridades indicaram que não existem indícios de crime violento.

"Não a queria deixar ir"

Durante o julgamento, a defesa sustentou que Christopher Phillips era "excecionalmente próximo" da mãe, de quem era cuidador desde 2008, e que sofria de grande fragilidade psicológica após a sua morte.

O tribunal ouviu que o arguido disse aos médicos que "não a queria deixar ir" e que "precisava de mais tempo". A advogada revelou ainda que o homem continuava a sentar-se ao lado do congelador e a falar com a mãe sobre programas de televisão e corridas de cavalos, como faziam quando ela era viva.

A juíza considerou, contudo, que o arguido enganou deliberadamente profissionais de saúde e autoridades para ocultar a morte e continuar a beneficiar dos pagamentos da Segurança Social.

A responsável pela investigação, Claire Lamerton, classificou o caso como "extremamente triste", sublinhando que Christopher Phillips lucrou com a morte da mãe durante um período prolongado e manifestando esperança de que a família tenha encontrado algum conforto ao conseguir finalmente proporcionar-lhe um funeral digno.