O anestesista espanhol Juan Maeso Vélez, condenado em 2007 por causar uma infecção massiva de hepatite C em centenas de pacientes em Valência, morreu esta segunda‑feira aos 84 anos, informou o seu advogado, de acordo com o El País.
Juan Maeso estava hospitalizado, em liberdade condicional, devido ao agravamento do seu estado de saúde.
A liberdade condicional foi-lhe concedida em 2023, após cumprir 15 anos de prisão pela sua responsabilidade no caso.
O caso remonta ao final de 1990, quando um número incomum de infeções por hepatite C começou a ser detetado em quatro hospitais de Valência, incluindo unidades públicas e privadas. As investigações da altura apontaram Maeso como o foco único da transmissão, através de práticas médicas altamente perigosas, como a reutilização de agulhas e seringas para auto‑injeção e, em seguida, para administrar anestésicos aos seus pacientes.
O homem começou a ser julgado em 2005 naquilo que foi considerado um macrojulgamento e que exigiu uma sala especial para acomodar 153 advogados, 114 procuradores e 600 testemunhas.
Durante o julgamento, concluiu-se que o médico injetava em si próprio parte das substâncias anestésicas que iria administrar aos pacientes, fazendo-o com a mesma agulha.
Em 2007, o anestesista foi condenado a 1.933 anos de prisão, uma sentença que refletia a gravidade e a magnitude do crime. A condenação incluiu também uma ordem para que Maeso pagasse indemnizações às vítimas ou aos seus familiares, equivalentes a cerca de 500 000 euros por pessoa, embora em Espanha a pena máxima efetivamente cumprível seja de 20 anos de prisão.
O seu estado de saúde tinha vindo a piorar gradualmente até à sua morte, que ocorreu esta segunda-feira, 30 de março, num hospital espanhol.
Não foram divulgados mais pormenores médicos.